Desde bem pequena sei da existência da tal jurubeba, acho que, por aqui, todos nós. Só não sei se, para todos, o significado foi o mesmo que para mim: jurubeba é igual a cachaça: só me lembro de vê-las unidas, uma dentro da outra. Uma vez perguntei para minha mãe o que vinha a ser jurubeba e ela me disse que era um fruto verde oliva que se colocava na pinga e que ela detestava. Conclusão: nunca teve jurubeba em casa, nem para colocar na pinga do meu pai.
Eis que elas aparecem com nova roupagem, em vidros sem pinga, com etiqueta, data de validade e orgânicas. Vou então me informar melhor sobre os benefícios de tal frutinha amarga que só. Primeira constatação: no vidro que comprei, a conserva era com vinagre, não sei se por isso, mas um delicioso cheiro de figo foi o que senti. Desse figo nosso, caipira de quintal, ainda no pé. Segunda constatação: a aparência, depois de partida, é de pimenta, cheia de caldo ralo e sementes miúdas. Terceira: o gosto nem é tão amargo, boldo é pior, e enquanto esse tem um sabor simples, amargo e pronto, aquelas são gostosas, o amargo é o retrogosto que dura pouco, o início tem charme e potencial, inicia-se de novo com gosto de figo - ou estou doida.
Mas o que fazer com ela, além de careta? Chamei minha irmã - e chef de cozinha, para o desafio. Fizemos inicialmente um vinagrete de pimenta biquinho, tomate e jurubeba. Ficou bom, deu um gostinho diferente, mas nada que faça grande diferença.
Daí partimos para o arroz com jurubeba. O sabor é muito parecido com a combinação jiló e arroz branquinho, até menos amargo. E, não me lembro quanto ao jiló, mas a jurubeba não deixa gosto no arroz - quem não quiser é só separar. A colunista Neide Rigo acrescenta a esse arroz com jurubeba, a cúrcuma, sem dúvida deve melhorar tudo, porque a jurubeba guarda um sabor dos temperos asiáticos, tanto que na Tailândia é utilizada para fazer o curry deles.
Mas para quê a insistência em se fazer algo que para muitos está fadado ao fracasso? Porque a gente descobre e redescobre o que sempre esteve por aqui, sem ter de buscar de longe. A jurubeba é nativa do Brasil e das Guianas. Tem poderes fármacos há muito descobertos. Não é a toa que ficava nos vidros de pinga, na farmacopeia brasileira: é remédio contra a anemia e desordens hepáticas e digestivas, pois os princípios amargos estimulam as secreções gástricas.
A jurubeba pode ser melhorada, dá para ter o amargor controlado: ferva em água e sal umas sete vezes antes de deixar descansar no vinagre de vinho branco. Quero receber de vocês, leitores, dicas sobre esse fruto.
DICA DA SEMANA
Vinho na cozinha
A utilização de vinho na cozinha é bastante simples e segue aquilo que quase toda dona de casa já sabe. Ele deve ser bem cozido. Incorporado no início do cozimento, ele se amalgamará perfeitamente, sendo mais um dentre os sabores.
Mas há uma exceção, quando acrescentamos um Madeira. Nesse caso, a superioridade do sabor desse vinho deve ser preservada e a quantidade de vinho bem dosada. Uma colher de sopa num belo consome mais ou menos 6 xícaras de caldo - deve ser suficiente.
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