O articulista da Folha e imortal da Academia Brasileira de Letras, escritor Carlos Heitor Cony, em crônica sobre desencarnação do amigo e também imortal Luiz Paulo Horta, afirmou que a morte é ‘a única verdade daquilo que chamamos vida”. Realmente, desencarnação é o único fato que acontecerá com todos os de passagem nesse mundo.
Para espíritas, porém, o contrário de vida não é morte! A diferença está em que a obra divina é perfeita e, portanto, não pode contemplar o desaparecimento de qualquer criatura do Divino Criador. Assim, o contrário de vida é vida, que continua sempre em outras vibrações, outras dimensões.
Quando desencarnamos, retornamos à pátria de origem, o mundo espiritual, para nossa condição imortal. Transitoriamente, vivenciamos experiência na face da Terra. Passamos por isso a fim de burilar o espírito e prepará-lo a viver com espíritos superiores que estão nas condições evolutivas almejadas por nós.
Quem compartilha conosco a vida material, são apoios colocados pela Lei de Deus para nos auxiliarem na caminhada. É verdade que nem sempre merecemos só aqueles com quem temos maior afinidade. Somos defrontados também com desafetos que nos alcançam na condição de familiares para que o acerto vibratório seja atingido. Nem sempre, numa só experiência encarnatória, conseguimos. Não raro, precisamos de muitas vivências em conjunto para dilapidar as arestas. Pela desencarnação, levamos o conjunto das lutas que conseguimos vencer e o somatório das que, ainda, não superamos.
A diferença entre uma e outra é que mostra o estágio evolutivo no qual nos encontramos. Também ela, a diferença, é que vai determinar nossa localização no plano maior da vida. Se levamos mais luz nosso períspirito (envoltório do espírito) estará menos pesado e nos levará a regiões superiores. Se, ao contrário, as trevas nos envolvem, o peso específico nos fará presos às regiões limítrofes do planeta, enfrentando aí o Tribunal da Própria Consciência.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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