Mobilidade ameaçada


| Tempo de leitura: 2 min

Mais da metade dos domicílios brasileiros (54%) contam com pelo menos um automóvel ou uma motocicleta para o deslocamento dos seus moradores. Essa proporção, relativa a 2012, representa um aumento de 9 pontos percentuais na comparação com 2008, quando 45% dos lares tinham um veículo particular. A tendência, segundo comunicado divulgado ontem pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), é que o número aumente ainda mais nos próximos anos. O cenário, segundo o Ipea, aponta, de um lado, para o maior acesso da população, inclusive os segmentos de menor renda, aos automóveis. De outro, indica intensificação dos desafios para os gestores dos sistemas de mobilidade, uma vez que a maior taxa de motorização dos brasileiros contribui para elevação no número de acidentes, de congestionamentos e dos índices de poluição.

Problemas relativos à mobilidade urbana, especialmente em regiões metropolitanas, foram apontados como estopim das mobilizações que levaram às ruas, em diversas cidades do país, milhares de brasileiros, em junho. De acordo com o documento, o fato de grande parte da população ainda não ter a propriedade de veículos pode contribuir para uma piora ainda mais intensa nesse quadro nos grandes centros urbanos, sobretudo nas regiões com menor percentual de motorização (Norte e Nordeste).

Aqui em Franca já se vive este dilema, com o trânsito praticamente estrangulado em suas principais vias, notadamente do Centro. As providências tomadas nos últimos tempos para tentar amenizar a situação têm se mostrado paliativas. Assim como em todos os grandes centros do País, onde a saída é um investimento pesado em transporte público, tornando-o não apenas acessível, mas também capaz de suprir as necessidades, a Prefeitura precisa redobrar os seus esforços no sentido de dotar a cidade de um transporte público de qualidade e capaz de atender toda a demanda.

Como mudar todo o planejamento urbano é impraticável, em razão das ruas projetadas para o tráfego de cavalos e carroças que já não comportam o grande volume de veículos automotores hoje registrado, o único caminho é o transporte público. A necessidade de um planejamento minucioso, que levante as necessidades e carências registradas em Franca -- e elas são muitas -- é essencial para que nada seja feito de afogadilho, para que não se corra o risco de criar mais problemas do que encontrar uma solução. Em grandes cidades de países mais desenvolvidos, o deslocamento por ônibus urbanos e metrô é natural. Torna-se mais rápido e mais barato do que enfrentar horas e horas de trânsito congestionado. Mas exigem-se veículos de qualidade, que deem conforto aos seus usuários. O acesso precisa ser facilitado e estimulado, permitindo que se deixe o carro em casa, principalmente a caminho do trabalho. O que não se pode permitir é que a situação registrada agora perdure ou se eternize, sem que se esforce para impedir todo o colapso do trânsito no perímetro urbano. A Prefeitura precisa se mexer urgentemente antes que seja tarde demais.

e-mail opiniao@comerciodafranca.com.br

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários