Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados recentemente, relativos a dados colhidos em 2012, mostram tendência de estabilidade nas taxas de analfabetismo que vinham caindo ano a ano. Em 2012, 8,7% das pessoas com mais de 15 anos não sabiam ler nem escrever, índice superior ao registrado em 2011, que marcava 8,6%. O aumento de 0,1% registrado pode ser apenas oscilação estatística que não demonstra aumento real, mas, diante dos números anteriores representa, sem dúvida, forte estagnação.
Apesar da taxa de analfabetos ter caído pela metade nos últimos 20 anos, continua alta nas regiões mais carentes do Brasil. No Nordeste, Estados como Alagoas (21,8%), Maranhão (20,8%), Piauí (18,8%) e Paraíba (18,6%) demonstram que ainda há um abismo entre os ‘dois brasis’, comparado a dados de Estados como Santa Catarina (3,1%), São Paulo (3,8%), Rio de Janeiro (3,8%) e Rio Grande do Sul (4,3%).
Colocando lado a lado com dados internacionais, a situação é pior. Apesar de nossa taxa estar próxima à média da América Latina (9%), estamos bem distantes da vizinha Argentina (2%) e de Cuba (próxima de zero). Em países desenvolvidos como Estados Unidos, Japão e Itália, a taxa é menos de 1%.
O imbróglio de números demostra o que já se sabes: o Brasil precisa investir em educação de qualidade. Também que se tem que atentar a políticas educacionais que envolvam jovens e adultos, já que a taxa de analfabetismo entre os maiores de 25 anos bate nos 10%. O CIEE, com experiência de quase 50 anos na inserção de jovens no mercado de trabalho vem contribuindo com o Programa CIEE de Alfabetização e Suplência de Jovens e Adultos. Desde 1997, mais de 50 mil pessoas alcançaram diploma, melhorando os índices de escolaridade e condições de qualificação e habilidades, seu lugar no mercado de trabalho.
Luiz Gonzaga Bertelli
Presidente do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), diretor da Fiesp
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.