Povos da África escravizados por portugueses e trazidos ao Brasil exerceram forte influência sobre nossa língua, música, culinária, mitologia, brincadeiras ; trouxeram novas palavras, conceitos, até espécies vegetais. Preste atenção às frases que se seguem. O moleque atravessou a rua correndo. No interior da Bahia encontramos muitas crianças banguelas. Vi o homem depositando sacos plásticos nas caçambas. Quindim é sobremesa apreciada por crianças e adultos. O caçula da nossa família tem nove anos. O samba é dança que conquista logo o coração do turista. Veja que destacamos seis palavras de uso muito comum dos brasileiros. O curioso é que elas vieram direto da África para nosso país. Sua forma é levemente diferente no idioma africano. Mas podemos reconhecê-las facilmente: moleke, benguela, kisambu, kénde, kasule, semba.
Vamos conferir os sentidos. Na língua africana, moleque é o mesmo que menino. Benguela era uma aldeia de Angola, de onde vieram muitas pessoas escravizadas pelos portugueses; elas já tinham perdido todos os dentes quando aqui chegaram. Kisambu, que era um grande cesto, virou caçamba, porque as palavras vão mudando com o passar do tempo. Kénde, que evoluiu para quindim, sempre foi doce. Kasule, até hoje, em certas regiões da África, designa o filho mais novo. E semba chegou como palavra e ritmo que já era e se transformou na música mais representativa do Brasil: o samba.
Alguns animais que hoje formam nossa fauna não estavam aqui quando os portugueses chegaram ao Brasil. Foram trazidos por africanos. Sabe aquela galinha bonitinha, de cor preta e bolinhas brancas, mais crista vermelhinha? Ela veio de Angola. Por isso a chamamos galinha-d’angola. Os angolanos a chamavam de cocá e coquém, nomes que ainda se mantêm no nordeste.
Berimbau
Trazido pelos bantos, é muito tradicional na capoeira
Caxixi
Pequena cesta de palha e couro usada como chocalho, originária de Uganda
Agogô
Usado pelos iorubas, é feito de metal e lembra um sino
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