Todos nós perdemos


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Todos nós sabemos, há muitos anos, que o desperdício, a ineficiência e a corrupção causam prejuízos bilionários ao Brasil. Aliás, trilionários: todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, o equivalente ao Produto Interno Bruto (PIB) da Argentina, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 se esvaem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento.

Além de dinheiro, que poderia ser investido em educação, saúde e transporte público, escorrem pelo ralo muitas outras oportunidades. O Brasil deixou passar a bonança externa -- entre 2003 e 2008, o mundo viveu a sua era de ouro, puxado pelo supercrescimento chinês -- sem fazer as reformas estruturais necessárias à economia. Agora, se vê sem capacidade de colher os frutos do bônus demográfico, período único em que as nações usam a sua força de trabalho para se tornarem ricas. De farto e próspero, o País ganha cada vez mais a cara do desperdício.

Somente uma completa reforma estrutural seria capaz de nos recolocar nos trilhos do crescimento. Tudo começa com a logística: parte da produção agrícola brasileira se perde no transporte, por estradas ruins e sem condições. Em vez de expandirmos as ligações ferroviárias, vimos no decorrer dos anos a extinção de ferrovias e, hoje, a malha que deveria ter sido fortalecida praticamente inexiste. Só agora é que a questão começa a ser encarada com alguma seriedade. Mas os investimentos do governo no setor continuam cercados de suspeitas, principalmente em razão da corrupção e do superfaturamento.

A falta de infraestrutura, principalmente de transportes, é sintomática: tudo fica mais difícil e mais caro. E o Brasil, que poderia ser autossuficiente em termos de produção agrícola, ainda precisa importar para cobrir o déficit provocado pelo desperdício. Outra coisa: nada do que se faz em nosso País é fácil. A burocracia atravanca investimento ao tornar mais difícil a abertura de qualquer empreendimento. Hoje, quem tem prefere aplicar o seu dinheiro: impostos altos e exigências legais exageradas desestimulam quem pretende investir no setor produtivo.

Acima de tudo isso, ao lado da falta de planejamento e de uma estrutura estatal inchada e ineficiente, a corrupção colabora para que mais dinheiro escorra para o ralo, trazendo prejuízos para todos nós, que esperamos melhorias urgentes na educação, na saúde e no transporte público. Faltam mecanismos que coíbam fraudes e maracutaias. Punições exemplares e rápidas poderiam mudar este panorama. O brasileiro já está cansado de esperar que haja uma conscientização de nossos governantes e legisladores no sentido de preservar o bolso do contribuinte e aplicar de forma responsável, moral e honesta o dinheiro de todos nós. O que não se pode mais é deixar passar mais uma chance de colocar o Brasil como protagonista mundial, deixando para trás os vícios que ainda seguram o nosso pleno desenvolvimento.

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