História em quadrinhos


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Para que servem histórias em quadrinhos? De estalo, diríamos ‘passatempo e diversão’. É verdade, mas há finalidades além dessas. Despertamos para a leitura e para efeitos de sentidos (discursivos) que dos diálogos surgem.

Histórias em quadrinhos são antigas e remetem à época das cavernas, quando o homem desenhava nas paredes, suas experiências vividas. Na Via Sacra da igreja católica, os quadros apresentam o caminho de Jesus, do Pretório ao Calvário. Nos séculos XIX e XX, eram entendidas como entretenimento simples, barato e de massa. Atualmente estão sendo reinseridas na escola, na sala de aula, como meio de incentivar e desenvolver leitura e retórica.

No doutorado, o professor de Retórica sugeriu que apresentássemos um seminário utilizando a história em quadrinhos. Decidimos utilizar a história do homem-aranha analisada segundo as paixões aristotélicas (cólera, calma, temor, segurança — confiança, audácia —, inveja, impudência, amor, ódio, vergonha, emulação, compaixão, favor - — obsequiosidade —, indignação e desprezo). Impressionante como o super-herói dotado de superpoderes também é movido por paixões.

Nas historinhas em quadrinhos analisadas encontramos amor e confiança, desprezo e vergonha, desdém e indignação, cólera, temor e favor. De posse desse estudo, convidei meu filho de 10 anos a ler o gibi do homem- aranha focando nas paixões.

O resultado foi fantástico! A visão de leitura do meu filho ampliou-se de forma prazerosa. A leitura, quando devidamente instruída, com objetivo certo e determinado, produz riquezas imensuráveis, já que, ao ler, nossas paixões também se manifestam.

Convido você, leitor, a fazer essa experiência pessoal. Convido, também, professores que ainda não o fizeram, a levar histórias em quadrinhos para a sala de aula.

Dá para se trabalhar de forma diversificada, divertida e com conteúdo, além de estimular/desenvolver a leitura. O homem também é fruto das leituras que faz.

Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário

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