A pouco mais de um ano das eleições majoritárias do ano que vem (quando os brasileiros escolherão presidente, governadores, senadores e deputados federais e estaduais) a campanha eleitoral já corre solta, mesmo que o calendário do TST (Tribunal Superior Eleitoral) ainda não a permita. Vê-se, a cada dia, reproduzidos pelos jornais, pelos rádios e pelas emissoras de televisão ações e discursos que comprovam a existência de uma campanha acirrada, principalmente quando o assunto é a sucessão da presidente Dilma Rousseff (ela mesma candidata, que não perde uma chance de enaltecer o próprio governo e o período de seu partido no poder).
Hoje já é possível avaliar que o pleito do ano que vem, a não ser que surja um fato novo capaz de mobilizar o eleitorado brasileiro, deve ser polarizado entre Dilma, o senador Aécio Neves (PSDB-MG, embora o ex-governador José Serra demonstre interesse em disputar sua terceira eleição ao cargo máximo do País) e a dupla formada pelo governador Eduardo Campos (PSB-PE) e a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva, hoje abrigada na sigla, depois de não conseguir viabilizar seu partido, a Rede Sustentabilidade, junto ao TSE.
O que se tem visto nos últimos temposé que a política brasileira está totalmente dominada pelo marketing. Cada um dos candidatos citados acima já age conforme orientação dos especialistas em propaganda e imagem. Dilma, desde quando tomou posse, quase três anos atrás, leva a reboque o marqueteiro João Santana, um de seus principais interlocutores que a aconselhou a usar táticas de propaganda que servem para vender, também, cremes dentais, aparelhos eletroeletrônicos e utensílios de cozinha. A imagem extrapola as realizações e os anseios dos eleitores que devem ir às urnas no ano que vem. Aécio Neves e Eduardo Campos também já escolheram os seus especialistas.
Marqueteiros têm deixando os planos de governo de lado em detrimento da imagem e dos discursos dos candidatos. Qualquer ocasião é aproveitada para cerimônias, eventos e inaugurações. No Brasil inaugura-se de tudo: obras que já estão em funcionamento, planejamentos e lançamentos. Já houve oportunidade em que até exibição de maquete ganhou contornos de cerimônia oficial. Não há mais compromissos com a realização. O que vale, mesmo, é o discurso.
Trata-se de uma política velha, como se fazia nos dois últimos séculos, em busca do coração (e não da razão) do eleitor. Sempre há a tentativa de impressionar, de preferência para uma claque selecionada, privilegiando a intenção. A situação deve piorar nos próximos meses, quando com certeza iremos acompanhar cerimônias até para o lançamento de pedras fundamentais. É o que sempre acontece nos meses que antecedem qualquer tipo de eleição, proporcional ou não. Aceleram-se as obras para que não se perca a oportunidade de fazer das cerimônias um palanque regional. O que importará, apenas, será a oportunidade de discursar e prometer até obras que não sairão do papel. O eleitor brasileiro, como sempre, acabará engolindo o engodo, deixando-se enganar outra vez.
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