O churrasco do fim de semana, feito principalmente a partir de cortes nobres, está ameaçado em Franca. Pesquisa mensal da cesta básica realizada pelo Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef mostra que o preço da carne bovina na cidade está mais caro. De setembro para outubro, o valor do quilo subiu quase 7% e a tendência é que ele continue em elevação.
O motivo do aumento, segundo os proprietários de açougues, se deve à oferta menor de animais nesta época do ano e também ao crescimento do consumo com a aproximação das festas de fim de ano. Outro fator apontado como responsável pelo reajuste é a maior exportação do produto para a Rússia e para o Oriente Médio, o que diminui a quantidade de carne no mercado interno.
“Estamos na entressafra da carne. Devido à seca, não se tem pasto e o boi gordo no confinamento custa mais caro. Ao mesmo tempo, a procura pelo produto cresce com a chegada desse período mais festivo”, disse Adriano de Souza, dono de um açougue no Jardim Francano.
Com a redução de gado para o abate, a arroba que em julho custava cerca de R$ 90 chegou a R$ 110. Entre os cortes mais afetados estão os de primeira, de modo especial a picanha, a alcatra e o contrafilé. “Esse é um aumento esperado todos os anos, mas ainda assim atrapalha as vendas. As pessoas não deixam de comprar, porém, escolhem uma carne de preço inferior”, disse André Geraldo Nascimento, que mantém uma casa de carnes no Centro da cidade.
Entre as carnes concorrentes, o cenário também não é animador. De acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP, a carne suína teve reajuste de 5,79% no intervalo de uma semana, assim como o frango resfriado que subiu em média 1,56% no mesmo período. “Estamos trabalhando com a margem de lucro reduzida, pois ainda não tivemos condições de repassar todo o aumento. Essa alta veio mais cedo e nos surpreendeu, não tem como o cliente fazer substituição. A solução tem sido diminuir o consumo”, disse o proprietário de uma casa de carnes na Vila Exposição, Paulo Roberto Covas Silva.
Para a cozinheira Moralina Faes Garcia Feliciano, a alta da carne já fez diferença no bolso. “Gasto em média R$ 55 por semana com carne, mas agora tem vindo menos e antes do fim de semana preciso comprar de novo. A gente tenta substituir o cardápio, mas não consegue ficar sem carne.”
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