Cerca de 150 produtores de café da região participaram da audiência pública realizada pelo MPT (Ministério Público do Trabalho), na noite de ontem, no Senai de Franca. O objetivo foi alertar os produtores quanto aos riscos da exposição de trabalhadores a produtos agrotóxicos.
Problemas relacionados ao armazenamento, utilização e descarte irregular de defensivos agrícolas foram identificados pelo MPT e MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) em fazendas paulista. “A gente percebeu que as irregularidades se dão, às vezes, não pela má-fé dos produtores, mas pelo desconhecimento dos riscos a que eles próprios e os trabalhadores estão expostos”, afirmou a procuradora do Ministério Público do Trabalho, Regina Duarte da Silva.
Um dos palestrantes da noite foi o engenheiro agrônomo e professor da Unesp de Jaboticabal, Joaquim Gonçalves Machado Neto. Ele falou da necessidade de gerenciar os riscos e bem aplicar os agrotóxicos. Os produtores também foram orientados quanto à necessidade de cumprimento da legislação que estabelece normas de saúde e segurança do trabalho.
A lei prevê, entre outras coisas, que os empregadores afastem gestantes das atividades com exposição direta ou indireta a agrotóxicos - imediatamente após ser informado da gestação -, forneçam aos trabalhadores EPI (Equipamentos de Proteção Individual) e roupas adequadas aos riscos, além de orientação quanto ao uso correto dos dispositivos de proteção.
Consumo
Segundo a procuradora do Ministério Público do Trabalho de Santa Catarina, Marcia Kámei López Aliaga, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo. “O uso massivo de agrotóxico vai contaminar alimentos, água e ar, principalmente quando mal gerenciado. É o caso de estocamento do produto e descarte de embalagem de forma inadequada”, destacou.
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