Matéria de capa deste Comércio, esta semana, deveria causar preocupação. Mesmo que não seja novidade, o fato de dois adolescentes serem enviados diariamente à Fundação Casa deveria tirar a tranquilidade de nosso sono e nos despertar para alguma ação.
Primeiro, temos que nos lembrar de Pitágoras: ‘educai as crianças e não será preciso punir os adultos’, e isso já faz arrepiar os cabelos. A educação anda um tanto relegada nos dias de hoje. Pais, independente da classe socioeconômica, acabam abdicando da educação de seus filhos e jogando a responsabilidade sobre as escolas. Alguns fazem por ignorância ou falta de maturidade. Outros são egoístas, já que chegam à paternidade com os olhos ainda cegos pelo brilho da sociedade de consumo e dos prazeres que proporciona.
Escolas educam cada vez menos. Por um lado, estão limitadas por administração secularmente burocrática e centralizada, que não oferece espaços para a criatividade em nível local. Mesmo que oferecesse, talvez essa criatividade não servisse para muita coisa, já que professores de hoje estão mais preocupados em sobreviver dignamente e, para isso, acabam pulando de escola em escola (para além dos bicos) tentando engordar um pouco o holerite magrinho que recebem mensalmente.
Nesse contexto, se contarmos quantos garotos que deveriam estar estudando e são enviados para a diretoria todos os dias, talvez repliquemos os mesmos números preocupantes de adolescentes enviados à Fundação Casa. O que fazer com isso, já que pais e escolas estão educando cada vez menos? Aumentar o número de vagas na Fundação Casa, adiantando assim a previsão de Pitágoras? Intensificar o número de velas e ampliar o volume das orações?
Ironias à parte, é necessário que a sociedade reaja. Pelo que estamos vendo, são os cidadãos que parecem abandonados e não os menores, que seguem por aí se deliciando com liberdade exagerada. Em realidade, estamos, isto sim, confundindo proteção com protecionismo assistencialista. São coisas diferentes.
Maurício Buffa
Professor e consultor de Marketing
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