MP exige fiscalização de igrejas e escolas em toda a região também


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Éder Brazão, chefe do Setor de Fiscalização da Prefeitura de Franca, afirma que município faz visitas periódicas aos imóveis
Éder Brazão, chefe do Setor de Fiscalização da Prefeitura de Franca, afirma que município faz visitas periódicas aos imóveis

O promotor de Justiça Carlos Gasparoto não está processando só a Prefeitura de Franca. Abriu outras duas ações contra os cinco municípios da Comarca (Franca, Cristais Paulista, Restinga, Ribeirão Corrente e São José da Bela Vista). A intenção é fazer com que fiscalizem e punam templos religiosos e escolas irregulares.

Durante três anos, o Ministério Público investigou estes estabelecimentos e centenas de proprietários foram ouvidos. A conclusão assusta. Na região, 277 escolas que recebem crianças e jovens estão funcionando sem qualquer documento que ateste sua segurança. A lista é ampla e abrange de faculdades a pequenas academias de dança, e quase todas as escolas estaduais. No caso dos templos religiosos, são 115 irregulares, de religiões diversas.

Preocupado com os riscos que estes imóveis podem oferecer à população, o promotor decidiu ingressar na Justiça para obrigar as prefeituras a fiscalizá-los e adotar providências se estiverem situação irregular ou de risco.

Os dois processos, relativo às igrejas e às escolas, correm na Vara da Fazenda Pública de Franca. Na ação, o promotor diz que é obrigação dos municípios promover a fiscalização periódica dos imóveis, mas que em nenhuma das cidades isso é feito de forma adequada. “Os municípios só agiam quando provocados pela promotoria. Nenhum, de ofício, sequer tomou alguma providência no sentido de exigir a apresentação do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) mesmo diante dos casos de desastres que acompanhamos.”

Segundo o promotor, há dois anos, ele vem alertando as prefeituras sobre a necessidade de fiscalizações mais efetivas, mas elas nada fizeram. “Mesmo com os inquéritos civis em andamento, não adotaram providência.”

O promotor quer fiscalização imediata. “Com a omissão das administrações, a população continuará exposta a iminente risco nos locais que não oferecem segurança. Não é razoável que se espere a conclusão do processo para tomar atitudes.”

Gasparoto pede que a Justiça obrigue as prefeituras a adotar medidas caso alguma irregularidade seja verificada. Se as ações forem julgadas procedentes, as prefeituras ficarão sujeitas a multas de 2 mil Ufesp (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo), o equivalente a R$ 38,4 mil, por ocorrência de irregularidade não punida. Os dois processos ainda estão em andamento e não têm uma data para serem julgados.

O chefe de Fiscalização, Éder Brazão, disse que a Prefeitura de Franca já está adotando medidas para garantir a fiscalização e que vem realizando visitas periódicas às igrejas e escolas. Sobre as escolas estaduais, disse que já contatou a Secretaria Estadual, que se comprometeu a fazer as adequações até o fim de 2014.

Na Prefeitura de Cristais, o procurador do município, Fernando França, disse não ter sido notificado dos processos e prometeu se pronunciar assim que tiver acesso às ações. Nas demais prefeituras, nenhum representante legal foi encontrado para se pronunciar a respeito.

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