Estelionatários se sofisticam, mas golpes usam mesmos princípios de um século atrás
Com a popularização das comunicações em todo o mundo, com o advento da internet e do telefone celular, torna-se cada vez mais premente a necessidade de cautela diante dos inúmeros golpes que são aplicados a cada dia. Os chamados contos do vigário migraram para os meios digitais e atualmente continuam fazendo vítimas, mesmo diante de todos os alertas e pedidos de cautela. Muitas vezes o golpista aproveita-se dos sonhos de consumo de suas vítimas e lucram de forma desonesta à custa da ingenuidade de alguns e da ganância de outros.
Um dos principais, normalmente aplicados do interior de presídios, é o golpe do falso sequestro: o marginal aproveita-se da ingenuidade de quem atende ao telefone e simula estar retendo familiares que só serão soltos mediante o pagamento de certa quantia, normalmente em forma de créditos telefônicos. Dezenas de milhares já caíram neste golpe que ainda continua rendendo para presidiários, em sua maioria. A era do conto do bilhete ou conto da rifa premiada está cada vez mais longe, em razão da tecnologia.
Agora, em Franca, descobriu-se outro golpe que, embora não se aproveite da tecnologia, aposta nos sonhos de consumo de suas vítimas. Conforme o Comércio publicou em sua edição de ontem, mais de uma dezena de francanos tornaram-se vítimas, perdendo mais de R$ 200 mil. As autoridades já alertaram para que se desconfie de ‘pechinchas’. Anos atrás, o mesmo tipo de golpe (desta vez vendendo veículos a preço de banana através de anúncios classificados publicados em jornais de todo o País) já tinha feito vítimas inclusive em Franca. Agora, o bando que criou e aplicou a ação fraudulenta tinha a cidade como base e um de seus mentores encontrava-se ontem foragido.
Nos últimos tempos, tem crescido o número de formas criadas para tirar o dinheiro alheio, algumas delas violentas (como saidinhas e banco e sequestro relâmpago) e outras nem tanto (como os contos do vigário da era moderna). Por isso, as autoridades sempre alertam para que se fique com um pé atrás, diante de qualquer tentativa que vise ao pagamento para se chegar a recompensas. São como as mensagens de celular informando que o proprietário do telefone foi sorteado para ganhar um carro mas que precisa pagar certa quantia para receber o bem.
Em todos estes casos, calma e prudência são fundamentais para que se identifique a fraude. Muita gente, no afã do momento, acaba sendo ludibriada e, quase frequentemente, expõe ao golpista informações importantes para que ele leve a farsa adiante. Outra orientação dos especialistas em segurança é evitar uma exposição excessiva em redes sociais como Facebook, Twitter e Orkut. Divulgar o telefone nestes meios é mandar um recado claro a ladrões, golpistas e estelionatários. Colocar familiares, com nomes e fotos em destaque, também é desaconselhado. Sabe-se que a internet e a melhoria das telecomunicações, avanços que fazem parte do dia-a-dia da humanidade hoje, também podem trazer reflexos negativos se não houver bastante cuidado na sua utilização. Afinal, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
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