O que falta é consciência


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A Prefeitura Municipal, através da Divisão de Trânsito, nos últimos meses vem tentando encontrar fórmulas que levem à redução dos acidentes que ocorrem todos os dias. Instalação de semáforos, rotatórias e agora das chamadas ‘lombofaixas’ são três das providências que, de antemão, já se sabe que produzirão poucos efeitos. Nem a redução de pontos de estacionamento nas ruas do centro. O problema maior, como se diz por aí, é a pecinha que fica atrás do volante: o motorista. E ao francano, também é voz corrente, falta principalmente consciência. E respeito, prudência e solidariedade.

Vamos aos números, primeiro: nos oito primeiros meses do ano os acidentes de trânsito deixaram 1.397 pessoas feridas em Franca. Segundo os dados oficiais, foram 29 mortes no período. O número coloca a cidade entre os três municípios de maior violência no setor em todo Estado. E isso não é pouco, sabendo-se que Franca não está colocada no rol das metrópoles. É uma cidade média, perto de tantas outras no vasto Interior paulista.

Este estado de coisas não é causado, como se tenta insinuar, pela qualidade de nossas ruas, pela deficiente sinalização de trânsito ou da má qualidade dos veículos. Se um levantamento mais acurado for feito, ver-se-á que a maioria dos acidentes registrados em nosso perímetro urbano decorre de imprudência, imperícia e desrespeito às leis. Simples assim: são mínimos os desastres onde falhas mecânicas sejam a causa principal. Ou seja: passa pela conscientização e pela melhor formação do motorista francano uma queda significativa nos números apresentados até agora.

Cobra-se, de há muito, que a Educação para o Trânsito se torne parte integrante do currículo das escolas dos ensinos fundamental e médio. Embora não seja a solução, esta simples providência poderia reduzir bastante os números da violência do setor em todo o País. Afinal, morre-se mais no trânsito brasileiro do que em decorrência de doenças graves como câncer. No País, embora exista um código de leis bastante rigoroso, o motorista brasileiro ainda busca formas de burlá-lo, sendo que ficaria muito mais fácil trafegar dentro da lei. Mais fácil e mais barato.

Porém, ao mesmo tempo em que um carro se torna fonte de renda para os cofres do governo (com IPVA e licenciamento) e a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) também se presta ao lucro alheio (ninguém tira a carteira sem passar por autoescolas e cursos de formação), aliando-se a taxas para a renovação do documento, não se vê uma preocupação maior para com as boas práticas do condutor no trânsito.

Antes mesmo de criar (e endurecer) a legislação pertinente que hoje existe, devem os legisladores buscar resolver a situação mais preocupante: a formação do motorista. Enquanto não se trafegar com responsabilidade, respeitando-se as normas e a lei de trânsito, continuaremos testemunhando acidentes que levam a tragédias anunciadas, em razão de como o tráfego se porta hoje. Se o motorista não se conscientizar passar a valorizar a vida (dele e de todos), não vão adiantar em nada outras providências.

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