Futebol e violência


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As últimas rodadas do Campeonato Brasileiro de Futebol têm sido pródigas em abrigar, principalmente em partidas envolvendo equipes tradicionais de um mesmo Estado, confrontos entre torcidas adversárias, exigindo na maioria das vezes a intervenção dos agentes de segurança presentes no estádio. Já houve embates em estádios localizados no Distrito Federal, em Belo Horizonte e em São Paulo, nas três últimas rodadas do Brasileirão. E se envolveram torcedores do Corinthians e São Paulo (no Pacaembu), de Atlético-MG e Cruzeiro (no Estádio Independência), ambos no domingo passado, e de Corinthians e Vasco (há algumas semanas, em Brasília), entre outros conflitos de menor violência.

Porém, abundam ainda os confrontos verificados do lado de fora das arenas esportivas (algumas novíssimas, reformadas ou construídas de olho na Copa do Mundo, a ser realizada dentro de menos de um ano), causando ferimentos e até mortes. E este é o principal motivo para que o público nos estádios se reduza, já que há torcedores que deixaram de ir aos estádios em razão do perigo a que ficam expostos. Não vão e nem levam os familiares, preferindo permanecer em casa, onde não ficam expostos aos riscos que os estádios oferecem atualmente.

Ao mesmo tempo em que a Fifa, entidade máxima do futebol mundial, faz campanha pelo “fair play” (que pode ser traduzido para jogo limpo ou jogo justo), onde a violência vem sendo coibida de forma exemplar, tanto dentro de campo ou fora dele, nos Tribunais de Justiça Desportiva. Enquanto isso, as torcidas organizadas (que já foram reprimidas e até proibidas de entrar nos estádios) voltam a promover uma verdadeira guerra entre si, tornando um dos principais programas de lazer do brasileiro uma opção perigosa. Com isso, caem as receitas e os clubes acabam por amargar prejuízos diante do número pífio de torcedores presentes no campo.

O problema maior, porém, é relação quase promíscua entre estas organizadas — que, já foi provado, abrigam marginais que não vão ao campo de futebol só para torcer -- e os próprios clubes. Caravanas e blocos de torcedores são beneficiados pelos times, têm ônibus pagos e ingressos subsidiados. A sua presença nos estádios, como se pode perceber, não é benéfica para ninguém. Somente quando conseguiram acabar com os violentos “hooligans” é que os dirigentes do futebol inglês viram crescer a frequência nos estádios. Hoje, o futebol no Reino Unido leva multidões ao campo e isso se reflete na capacidade dos clubes em contratar e manter elencos com grandes craques, muitos deles oriundos do futebol brasileiro. Ou seja, o futebol não comporta violência nem dentro e muito menos fora do campo.

A indignação diante das imagens que a televisão vem mostrando a cada rodada é legítima. Afinal, poucos anos atrás ainda era seguro se levar as famílias aos campos de futebol. Hoje, ninguém sabe se conseguirá voltar para casa ao final da partida. Seria bom o Brasil se espelhar nos exemplos dos grandes centros do futebol mundial para devolver a tranquilidade nossos campos.

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