Amor à Pátria


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Setembro foi o mês da independência do Brasil; novembro é o mês da proclamação da República. A comemoração de datas cívicas é assunto mal resolvido, mas muito importante na educação de crianças e jovens. Mal resolvido porque o longo período do regime militar baniu a participação política e tornou a celebração do sentimento nacional uma palavra de ordem obrigatória, despida de reflexão crítica. Quem não se lembra de disciplinas como OSPB ou educação moral e cívica, ou de frases espalhadas pelas estradas, como ‘Brasil: ame-o ou deixe-o’?

Assim, mesmo depois da retomada da vida democrática no Brasil, a celebração de datas nacionais permaneceu caricatural e distante da realidade. Por sua vez, a escola permanece considerando secamente as informações históricas e está longe de se mostrar capaz de trabalhar sobre o sentido de ideias associadas ao sentimento nacional.

As datas nacionais representam oportunidade para se refletir sobre cidadania, como pertença cultural, formas de dominação, ameaças à liberdade e, principalmente, direitos fundamentais, como liberdade de expressão, educação, saúde.

Comemorar não é enfileirar diante da bandeira para que cantem o hino entre risos abafados, mas provocar questões das quais a escola se afastou, como a participação política (que não significa partidária) e das formas legítimas de manifestação popular.

É nesse contexto que emergem os novos sentidos dos símbolos nacionais (como a bandeira e os hinos), para a ideia de independência, de democracia, de valores nacionais.

A escola não pode perder a chance. Tampouco deve restringir a oportunidade às datas comemorativas.

O tema da participação política está na ordem do dia para a sociedade civil, e a escola não pode fugir a essa luta.

Francisca Paris
Pedagoga, mestra em educação

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