A fé que salva


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Neste domingo, dia do Senhor, a Palavra de Deus nos convoca à certeza de que o Deus libertador caminha conosco fazendo história. Vamos observar, com respeito e atenção, as mensagens contidas nos textos da Palavra de Deus, reservadas para hoje: II Leitura dos Reis 5, II Carta a Timóteo 2 e Lucas 17

Primeira Leitura — II Leitura dos Reis 5: O século IX a.C. se caracterizou, em Israel, pela indiferença do povo para com Javé, o Deus da vida. O povo de Deus devia enfrentar contínuas incursões dos sírios em seu território. Numa dessas, raptaram uma jovem israelita, posta a serviço de Naamã, general sírio que sofria de lepra. Por sugestão da escrava israelita, Naamã chega à presença do homem de Deus, o profeta Eliseu, a fim de ser por ele curado de sua enfermidade.
O texto conta a cura do general, o reconhecimento de que não há outro Deus em toda a terra a não ser em Israel, a tentativa de pagar a graça e a resolução de Naamã em levar para seu país um pouco de terra, sobre a qual irá oferecer sacrifícios ao Senhor em terra pagã. Podemos tirar conclusões. A primeira, diz respeito à função do profeta. Curando o pagão, demonstra que está a serviço do Deus doador de vida para todos. A segunda: o Deus de Israel não aceita ser pago pelos benefícios que gratuitamente oferece às pessoas. Finalmente, a conclusão que domina a leitura: o verdadeiro Deus habita nossa terra.

Segunda Leitura — II Carta a Timóteo, 2: Este texto pode ser chamado de ‘testamento de Paulo’. Os versículos de hoje estão estreitamente unidos ao que precede, onde o cristão é comparado ao soldado, ao atleta e ao agricultor. Por que o cristão resiste? Porque alguém, antes dele, resistiu e venceu: ‘Lembre-se de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos da descendência de Davi, segundo o meu Evangelho’. Paulo entende a vida de Jesus como uma luta constante para criar um mundo novo. Paulo está acorrentando, mas não a palavra de Deus.
Mas que importância tem isso? Com boas ou más intenções, o que interessa é que Cristo está sendo anunciado. Não é a prisão de um líder, as intimidações ou o silêncio a ele imposto que irão impedir o processo de libertação. Estar com Cristo, ou seja, ser cristão, é perseverar, morrer, viver e reinar. Jesus só nos negará se nós o tivermos negado, ou seja, se tivermos escolhido um caminho que não seja o daquele que, por nós, foi até a morte na cruz.

Evangelho — Lucas 17: O episódio dos dez leprosos se encontra somente no Evangelho de Lucas. Passando entre a Samaria e a Galileia, Jesus encontra dez leprosos, obrigados a morar fora do povoado, longe do convívio social. Um dos dez é samaritano. Judeus e samaritanos cultivavam ódio recíproco mas, aqui, estão juntos e solidários, pois a desgraça muitas vezes serve para unir.
Os leprosos deviam, segundo a lei, espantar e afastar quem tentasse se aproximar. A lepra era considerada castigo de Deus. Os leprosos obedecem à lei, pois gritam, mas ao mesmo tempo a transgridem em nome da fé no Deus que salva os marginalizados: ‘Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!’ Jesus responde a fé dos marginalizados. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados.
Somente o samaritano, ao perceber que estava curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz; jogou-se no chão, aos pés de Jesus, e lhe agradeceu. No evangelho de Lucas, a expressão dar glória a Deus é característica dos pobres e oprimidos que Jesus encontra em seu caminho. Dar glória a Deus não é oferecer sacrifícios, e sim reconhecer que em Jesus, Deus está libertando os marginalizados. A fé nasce do clamor, na esperança em Jesus libertador.

Monsenhor José Geraldo Segantin
Administrador Diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br

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