Cão avança em policial militar e é morto; pedreiro é baleado na perna


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Uma simples abordagem policial acabou em confusão, na madrugada de ontem, no cruzamento das ruas Dolores Maciel de Almeida e Sebastião R. Bachur, no Jardim Planalto. Um policial militar alega ter visto um indivíduo suspeito caminhando pela via e deu ordem para ele parar. Segundo o PM, um vizinho que presenciou a abordagem soltou um cão que avançou na guarnição. O policial sacou a arma e atirou no animal, que morreu. Aproveitando a oportunidade, o suspeito teria atacado o PM dando-lhe uma gravata e também acabou alvejado na perna. Ele foi internado e não corre risco de morte.

O pedreiro DDP, 26, estava próximo da esquina do cruzamento citado em atitude suspeita, segundo o policial. Como no local é comum a venda de entorpecentes e o suspeito é egresso do sistema penitenciário, foi-lhe dada ordem de parada.

DDP, sempre segundo o policial, não obedeceu. Disse que era trabalhador e que não devia nada à Justiça. Enquanto discutia com o suspeito, o policial foi atacado por um cão da raça rottweiler. Ainda de acordo com o PM, o animal foi solto propositalmente por WBC, morador do bairro, mas que negou o fato.

Enquanto o policial atirava no cachorro, foi atacado pelo suspeito abordado. “O PM Carmelo disse que esse rapaz (DDP) deu-lhe uma gravata (golpe no pescoço) e tentou pegar a arma de sua mão. Ele não teve outra opção se não puxar o gatilho”, disse o delegado Milessandro Mazola Moreti, que abriu inquérito do crime de resistência (art. 329).

O rapaz averiguado foi encaminhado pela equipe do Samu até a Santa Casa de Franca. Segundo o último boletim médico divulgado pelo hospital, ele teve de passar por uma cirurgia para remover o projétil de sua coxa direita e não corre risco de morte.

Envolvidos negam o fato

Em seu depoimento no Plantão Policial, WBC disse que estava junto com sua mulher e o cachorro chamado “Sansão” dentro de casa, quando ouviram o barulho de briga vindo da rua. Enquanto sua mulher saía no portão para ver o que estava acontecendo, o cão fugiu. O homem então saiu à procura do animal quando viu um rapaz - ferido na perna -, caído no chão e que discutia com um policial militar.

Quando passou perto da confusão, um dos PMs teria lhe perguntado porque ele o estava olhando de “cara feia”. Em seguida, após uma rápida discussão, o policial apontou o revólver em sua direção e disparou contra o cachorro.

MAG, namorada do pedreiro baleado e prima do dono do cachorro morto, também compareceu à delegacia e disse que havia acabado de se despedir do companheiro quando os policiais chegaram. Após dizer que desejavam revistá-lo, o namorado, segundo a moça,disse que não tinha nada de ilegal consigo. Um dos PMs então o teria segurado, enquanto o outro lhe acertou tapas no rosto e socos na altura da barriga. A moça disse que ouviu um tiro no momento que o namorado estava se afastando dos PMs.

O comando
A PM de Franca informou via nota que foram requisitados exames periciais e médico-legais para subsidiar as investigações. No que se refere à apuração interna da corporação, foi instaurado um Inquérito Policial Militar “para a completa e devida apuração dos fatos e das versões apresentadas pelos envolvidos”.

A arma usada pelo policial e uma peça do fardamento danificada durante a luta corporal também foram apreendidos pelas autoridades. O inquérito civil será conduzido pelo 3º DP, responsável pela área onde aconteceu o problema. 

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