Eduardo & Marina


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Grande fato político dos últimos dias, a aliança entre o governador de Pernambuco Eduardo Campos e a ex-ministra Marina Silva tornou-se também o de maior repercussão, diante dos reflexos que poderá causar nas eleições do ano que vem. Acima de tudo, com o poder de polarizar todo o debate político-eleitoral dos últimos dias, a chapa Marina - Eduardo (ou Eduardo - Marina) não pode ser desprezada e nem menosprezada, como vêm tentando fazer alguns que imaginavam a polarização entre Dilma Rousseff e Aécio Neves como favas contadas.

A decisão de Marina (que vinha flertando ainda com o PPS de Roberto Freire e com o PV, do qual saíra após conseguir quase vinte milhões de votos nas eleições de 2010) foi até certo ponto surpreendente e um verdadeiro golpe em quem já tinha colocado a própria candidatura na mesa. A nova dupla aparece com fôlego e já com boa musculatura para enfrentar as urnas. Marina leva ao PSB o que lhe faltava: credibilidade e visibilidade em pontos do País, como Sul e Sudeste, onde Eduardo Campos teria dificuldades em arrebanhar simpatias que se transformassem em votos. E, mais do que isso, depois dos meses em que tentou viabilizar seu próprio partido, pode aparecer como a grande injustiçada da história e ainda capitalizar a derrota.

O que se pode ter certeza, a partir de agora, é que o panorama eleitoral vai certamente se modificar bastante até meados do ano que vem. Alianças que vinham se desenhando, com a definição dos palanques estaduais, certamente começam a ser desfeitas, influindo diretamente no resultado do pleito. Em São Paulo mesmo já se delineia uma mudança no quadro verificado até agora. O governador Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à reeleição, pode se ver sem o apoio do PSB mesmo que o deputado Márcio França, presidente da sigla no Estado, defenda o apoio. Acontece que o fator Marina pode mudar tudo. A deputada federal Luiza Erundina ganha força com a nova aliança e já defende candidatura própria no Estado (e deixa subtendido que seu nome está à disposição).

Porém, Eduardo Campos pode perder palanques importantes em outros Estados, com o veto dos ‘sonháticos’ de Marina a um acordo regional com o Democratas. Com isso, joga o partido no colo de seus aliados de longa data, os tucanos, que podem ganhar um tempo importante na propaganda eleitoral gratuita. Deve ser assim em São Paulo e Minas Gerais, onde PSB e PSDB também podem acabar rompidos. Nem o PSD de Gilberto Kassab, que promete seguir com Dilma no pleito, deve compor o palanque petista em São Paulo. O ex-prefeito de São Paulo tenciona sair candidato, podendo deixar o Partido dos Trabalhadores sozinho com o PR (do virtual vice-governador Maurílio Biaggi Filho), isso se o PMDB não avocar para si o posto. A decisão de Marina foi um verdadeiro divisor de águas no panorama eleitoral e pode mudar mais ainda, em razão dos acordos regionais e pontuais que se desenvolverão até o pleito de outubro do ano que vem. É só aguardar os próximos lances.

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