O registro de mortes por Aids em Franca vem aumentando a cada ano desde 2008. Segundo dados do Ministério da Saúde, em um intervalo de quatro anos a quantidade de óbitos pela doença cresceu 67%. Saltou de 17 para 28. Apesar da alta, a mortalidade pelo vírus na cidade é quase a metade da registrada há 15 anos.
De acordo com Carla Cristina Del Valle, coordenadora do Programa Municipal DST/ Aids, o aumento decorre da implantação dos testes rápidos para diagnóstico da doença, a partir de 2007, e consequentemente da identificação de novos casos. “Em se tratando de Franca, o SAE (Serviço de Assistência Especializada) intensificou as ações de busca ativa de clientes faltosos, com identificação e notificação de alguns óbitos.”
Carla disse ainda que diferente do que ocorria no início da epidemia, nos últimos anos, 60% dos contaminados eram heterossexuais, tinham parceira sexual fixa e a maioria estava na faixa etária entre 21 e 44 anos. Os dados mostram também crescimento no total de mulheres vítimas da doença. Enquanto em 96 dos 51 óbitos registrados cinco eram de mulheres, no ano retrasado das 28 mortes que ocorreram na cidade por conta da Aids, dez eram do sexo feminino. “Essa situação foi verificada em todo o país e ela aconteceu em razão da interiorização e feminilização da epidemia, uma vez que a maioria dos casos diagnosticados é em homens heterossexuais”, lembrou a coordenadora.
Segundo levantamento do Programa Municipal DST/Aids, dos 1,2 mil portadores do vírus atendidos atualmente pelo serviço 65% são do sexo masculino, o que mantém a proporção de dois homens infectados para uma mulher. No ano passado, de acordo com registros do SAE, foram notificados na cidade 9 casos de óbitos relacionados ao vírus HIV.
Tratamento
Em que pesem os dados sobre as mortes em decorrência da Aids, a coordenadora Carla Cristina diz que a quantidade de óbitos hoje é bem menor se comparada a da década de 90, principalmente em virtude de novas tecnologias para o maior conhecimento sobre a patologia, sua transmissão, formas de prevenção e tratamento.
“Houve uma melhora na assistência prestada à população, temos estímulos e recursos materiais que facilitam o diagnóstico precoce, expansão e qualificação dos serviços, ampliação no número de medicamentos disponíveis para o tratamento e na oferta de exames específicos, além da melhoria na abordagem clínica e no acompanhamento médico.”

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