Apesar dos avanços sociais que permitiram a expansão da rede pública de ensino, a universalização do ensino básico e a queda da taxa de analfabetismo entre jovens e adultos, enorme parcela da população ainda não frequenta escola, seja pela distância, pela necessidade de trabalhar ou falta de estímulo. Oriundas das camadas mais carentes da sociedade, encontram dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. O número de analfabetos entre os maiores de 15 anos, em 2011, segundo o IBGE, era de 8,6 milhões de pessoas. Dez anos antes eram 12,4 milhões.
O analfabetismo e a baixa escolaridade são bloqueadores de sonhos. Esses - que querem produzir e ter vida digna, emprego que assegure direitos trabalhistas e salário decente - encontram dificuldades para exercer cidadania, pois não conseguem compreender um documento ou fazer uma conta de subtração. Para atenuar, o CIEE criou o ‘Alfabetização e Suplência Gratuita para Adultos’, voltado a quem não teve oportunidade de ir à escola regularmente. Desde o início do programa, meados de 1997, passaram mais de 50 mil pessoas pelas salas de aula montadas em empresas parceiras, igrejas, centros comunitários e unidades do CIEE. O programa oferece material didático-pedagógico, uniforme, vale-transporte e vale-lanche. As aulas são ministradas por estagiários especialmente capacitados.
Atualmente 24 empresas participam do projeto em polos localizados em São Paulo e interior; em Salvador e Brasília, com total de 100 salas para as aulas. O curso traz situações curiosas. Há um número crescente de estrangeiros, vindos de países da África e da América Latina para aprender a língua portuguesa e a cultura brasileira. Como disse o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, ‘a alfabetização é fundamental para a construção de um mundo inclusivo, sustentável e em paz’.
Luiz Gonzaga Bertelli
Presidente do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), diretor da Fiesp
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