Uma atitude injustificada


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Desde o início de sua administração, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) vem se destacando pela falta de experiência política, a qual acaba levando a decisões completamente equivocadas e que não encontram eco nem entre os que o elegeram no ano passado. Seus atos, que a imprensa local -- este Comércio incluído — acompanha de perto, corroboram todas as críticas que ele recebe nos últimos meses. Desde a sua posse, o prefeito tucano tem conseguido desagradar gregos e troianos ao tomar decisões equivocadas e, mesmo diante de erros colossais, não encontra formas de se justificar.

Pela falta de diálogo, o chefe do Executivo francano conseguiu a proeza de criar atritos até com os seus próprios líderes na Câmara Municipal, tomando decisões autocráticas que desagradaram aqueles que, em tese, foram escolhidos para defender as posições de sua administração e de seu partido. Diante das notícias sobre as falhas de suas decisões, que prejudicam a administração, Alexandre Ferreira resolveu banir o Comércio de todas as repartições da Prefeitura, imaginando que, assim, os servidores não se informariam por esta folha.

Seu último equívoco, desta vez como principal membro do Comitê Gestor da Santa Casa, foi determinar a desativação da horta comunitária do Hospital do Câncer com uma alegação inicial inverossímil: a água armazenada no poço artesiano da instituição não seria suficiente para abastecer a horta e o jardim do hospital. O assunto não preocuparia caso não fossem atendidos semanalmente cerca de 60 pacientes acometidos por câncer com verduras e legumes livres de agrotóxicos, cultivados por voluntários. Para ele — e para a Santa Casa — fica mais barato buscar outros fornecedores. As explicações de que os custos para comprar as cestas para os pacientes seriam menores acabam desmentidos pela própria voluntária que cuida da horta: o hospital não gastava nada.

Ontem, Santa Casa e Prefeitura apontaram a decisão como medida de economia e risco de contaminação dos pacientes do Hospital do Câncer com o esterco utilizado na Horta. A verdade é que o assunto comportou lances bastante característicos. A repórter do Comércio foi ameaçada de prisão quando foi ao local buscar dados a respeito e os voluntários da ONG mantenedora da horta foram proibidos de prestar declarações. Até a horta foi fechada a cadeado para que ninguém tivesse acesso à produção. Algo justifica?

Esta atitude, unilateral e típica de regimes monocráticos, não são condizentes com uma administração democrática. Porque não existe dificuldade para se resolver a questão. A questão da economia acaba sendo desmentida, já que a a autorização para a manutenção da horta só saiu diante do compromisso de que não gerasse gastos. Estes conflitos de informação acaba dando uma dimensão maior do que o assunto comporta. Enfim, são ações como esta, eivadas de mesquinharia, que apequenam o homem público e transformam a administração de Alexandre Ferreira numa das mais autocráticas das últimas décadas em Franca.

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