A desobediência civil tornou-se fato corriqueiro em nosso País. Todos os dias, temos notícias de manifestações com diferentes objetivos, que fecham o trânsito, depredam o bem público (e o particular também), sem que os responsáveis sejam devidamente cobrados pelas agressões.
Confunde-se o direito de reivindicar com a baderna e o crime contra o patrimônio. E as autoridades e responsáveis pela manutenção da ordem pública, comodamente, entendem que tudo faz parte do direito reivindicatório quando, na verdade, não é isso. Governos e autoridades têm o dever de garantir a manutenção da ordem e punição aos transgressores, e prevaricam quando não o fazem.
Os responsáveis pelas manifestações e queima de veículos ocorridas nesta segunda-feira no Morumbi (SP), independente do que reivindicam, têm de ser identificados e processados pelos excessos cometidos.
Da mesma forma, o Estado tem o dever de agir com todos os que promovem quebra-quebra, danos ao patrimônio ou o colapso urbano. Suas reivindicações têm de ser respeitadas, mas seus arroubos e agressões não podem ser tolerados, pois banalizam o Estado e enfraquecem a autoridade pública.
Por mais desobedientes civis que tenham sido na juventude ou quando na oposição, os homens e mulheres que hoje estão no governo ou ocupam cargos nas áreas de segurança, justiça e afins não podem admitir a badernização das reivindicações.
Devem, pelo contrário, estar atentos aos pleitos da população, receber representantes dos movimentos, com eles dialogar e, na medida do possível, resolver seus problemas. Mas nunca capitular e deixá-los cometer os crimes que hoje se presencia por toda parte.
Dirceu Cardoso Gonçalves
tenente e dirigente da Aspomil (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)
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