Mascarados?


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Clarice Lispector dizia que escolher a própria máscara é o primeiro gesto voluntário, humano e solitário. Ela escrevia para ficar livre de si mesma Convido, vocês, caros leitores a refletirmos sobre as “máscaras” que colocamos a todo instante para viver em sociedade. As máscaras servem para esconder quem somos realmente? Quando as utilizamos buscamos nos preservar? Usamos as máscaras como parte de uma fantasia já que a realidade da vida é dura e exige posturas firmes e concretas? Enfim, várias perguntas e respostas; no entanto, sabemos que as utilizamos a todo instante. Será que as utilizamos como os super-heróis?

Atrás das máscaras está um ser humano cindido, decaído, limitado, mas que possui recurso (máscara) que lhe permite ser quem deseja ser. Vemos pessoas utilizarem ‘máscara da violência’ como forma de esconder as suas fraquezas, os seus medos, as suas derrotas, os seus fracassos. Outras utilizam a “máscara da doença” para receber atenção, amor e carinho, mas são incapazes de retribuir os afetos recebidos. São pessoas egoístas que desejam receber e nada dar. Há momentos na vida em que as máscaras são necessárias, mas viver sobre o seu manto é renegar a própria essência e existência, é viver enclausurado, preso, fechado.

Fato é que a Liberdade que não se sabe utilizar gera solidão. Precisamos acordar e nos encontrar, olhar para nós e nos amar, sabendo que somos iguais também nas diferenças. Precisamos deixar o outro ser quem ele realmente é com a possibilidade de rasgar e jogar fora aquilo que lhe causa dor para encontrar a alegria de viver como realmente o é. Precisamos deixar os outros livres para que libertos possam voltar, permanecer e sair por opção e não por imposição ou medo. Quantos relacionamentos “sobrevivem” em razão do “medo” e não por causa do amor e da liberdade. Ver além das aparências, das máscaras, esse talvez seja o caminho que nos leva ao encontro pessoal, profissional, espiritual e amoroso Usamos as máscaras quando não desejamos revelar quem somos realmente. Será que somos tão ruins para permanecermos escondidos atrás de máscaras?

Acir de Matos Gomes
Advogado e professor universitário

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