No dia 8 de agosto, a Prefeitura deu início à uma medida drástica. Com a justificativa de melhorar o fluxo de veículos, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) determinou o corte de 339 vagas de estacionamento no Centro. O corte eliminou mais da metade dos 650 espaços disponíveis. Dois meses depois, a medida, implantada sem avaliar os reflexos negativos, desagrada motoristas, consumidores e até mesmo vereadores governistas. As críticas mais contundentes partem dos comerciantes. Eles alegam que as vendas despencaram na mesma proporção que as ruas ficaram mais rápidas. Lojistas reclamam do prejuízo, cogitam demissões e projetam um futuro pessimista para o ponto comercial mais popular da cidade: O Centro vai morrer como a Estação.
Duas semanas após o começo das mudanças, a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) realizou uma pesquisa junto a 198 lojistas instalados na ruas que tiveram extintas as vagas de estacionamento: 81% responderam que eram contra. Com o sumiço dos clientes que se viu nos dias a seguir, os comerciantes, hoje, são unânimes nas críticas. “O movimento despencou. Minhas vendas caíram entre 30% e 40%. O problema está afetando toda a vizinhança. O Centro está um deserto. Parece que estamos em uma pequena cidade da região”, afirmou Reinaldo Duarte, da loja Adrenalina.
Sexta-feira, cerca de 20 comerciantes se reuniram na sede da Acif com representantes da Prefeitura e pediram que o corte de vagas seja flexibilizado para que as vendas de fim de ano, melhor época para o setor comercial, não sejam prejudicadas. “Vocês vão matar o Centro. É preciso acordar enquanto é cedo. Depois, não dá mais tempo”, disse Roberto Borges, da Luomo.
Tarciso Boto, da Ótica Melani, reforçou a necessidade do prefeito tomar providências urgentes. “É preciso agilizar para amenizar o impacto que foi dado. Onde tem carro tem gente, onde tem gente, tem negócio.”
Os comerciantes reclamam da maneira como os cortes foram impostos. “Quem a Prefeitura consultou para fazer as mudanças? Nós não fomos convidados. Foi ruim para todos, inclusive para os clientes, que não conseguem estacionar”, afirmou Ademar Alves, dono da Cólor Móveis. O vereador Adérmis Marini (PSDB), líder do governo na Câmara, concordou. “Tenho recebido muitas reclamações. Qualquer intervenção precisa ser estudada e os impactos bem analisados.”
O também vereador Daniel Radaeli (PMDB) lembra que a área central não é passagem e que as pessoas só vão até lá para comprar. “O prefeito quer acabar com o Centro como aconteceu com a Estação. Muito estranho que ele tenha tomado esta medida no mesmo momento em que o shopping anunciou um investimento de R$ 96 milhões.”
Proibido
Não há horários alternativos. Não é permitido parar em várias ruas mesmo no período noturno e fins de semana. O desrespeito à sinalização faz as multas aumentarem. “Os clientes não queriam isto. Por conta de problemas localizados, a Prefeitura está nos matando. Em dois anos, o Centro vai deixar de existir e se transformar em um pedaço abandonado”, disse Ismael Oliveira, da DJ Luizinho.
Alexandre Ferreira foi procurado e avisado do teor da reportagem, mas disse que a decisão é de não falar sobre o assunto.
Corte afeta a missa e segurança
A queda nas vendas não é o único reflexo negativo que o corte de vagas no Centro está gerando. O comerciante Roberto Borges alerta para o impacto na segurança. “É preciso tomar cuidado. Hoje, está muito perigoso. As ruas estão se transformando em um corredor isolado e de alta velocidade que facilitará a ação de ladrões.”
Comandante da Delegacia de Investigações Gerais de Franca, o vereador Daniel Radaeli concorda com a avaliação e prevê um aumento nas ocorrências de furto de veículo. “Como não conseguem parar no Centro, os motoristas vão procurar vagas em ruas distantes e menos movimentadas. É um prato cheio para os criminosos.”
A comerciante Renata Junqueira teme pelo aumento da violência e também das multas. “Quando chegamos para trabalhar, paramos os nossos carros longe e os funcionários da Área Azul ainda não estão na região. Depois, colocam os avisos de multa. A Prefeitura só pensou no trânsito e esqueceu da gente.”
Até mesmo as missas na Catedral estão sendo afetadas. Os fiéis não conseguem lugar para estacionar nas proximidades. Como muitos são idosos e obrigados a deixar os carros distantes, estão deixando de ir às celebrações.
Durante a reunião de sexta na Acif, o secretário de Segurança, Sérgio Buranelli, anotou as sugestões e prometeu encaminhá-las ao prefeito. “Se não resolver, vamos sair às ruas e protestar”, disse o comerciante Reinaldo Duarte.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.