Tenho enorme simpatia pelo povo mineiro, muito embora parecidos conosco, guardam suas exclusividades. Certa feita, prestávamos, eu e amigos, vestibular na mineira Alfenas, empolgados e jovens, decidimos barbarizar: batemos numa casa, com cara de vó, e pedimos água. Ah! Fomos convidados a entrar e a água foi companhia dos pães de queijo, das bolachinhas. Guardo esse evento como se tal característica não tivesse sofrido qualquer abalo, ainda que o mundo tenha mudado por aqui e por lá...
Minas tem se destacado no cenário da gastronomia nacional. Devagarinho tem se projetado lá fora representando o Brasil, de forma a inculcar que todos somos loucos por pão de queijo - talvez estejam certos. No começo desse ano foi a vez do Madrid Fusion (evento gastronômico espanhol onde a comida mineira representou o Brasil). Agora, Minas está encarregada de encantar os alemães.
O local é a feira anual de livros de Frankfurt, que é, nada mais nada menos, a principal feira literária do mundo. Essa feira, que ocorrerá agora em outubro, sempre homenageia um país, e esse tem o dever de se apresentar culturalmente, por isso, não pode faltar comida. Por que será Minas Gerais, de novo, a dizer que todos falamos uai?!
Primeiro, claro, tem o incentivo governamental aí. Mas o segundo e mais importante fator é que Minas, assim como a Bahia, tem o que está se chamando gastronomia de “terroir”, anotem esse nome, é da última moda.
Terroir é termo que sempre explicou os vinhos que trazem em si a marca de nascença. Mas o termo em si, melhor dizendo, designa uma extensão limitada de terra considerada do ponto de vista de suas aptidões agrícolas. Mas, detalhe, o terroir não abrange apenas os aspectos naturais do solo, é forçoso que haja uma determinada intervenção humana para que se designe que essa bebida ou essa comida é de terroir. Uma boa expressão seria o: saber-fazer local, pois não existe terroir sem o homem. O termo se opõe a tudo o que é uniformização, padronização, estandardização. E converge com tudo o que é de origem, natural, típico, distinto.
Agora voltando lá pras Minas Gerais, um exemplo clássico de comida de terroir é o queijo da Serra da Canastra. Produzido numa determinada localidade, por empresas familiares, sem degradação dos recursos naturais, com gosto distinto, qualidade superior e produto típico de uma localidade. Minas tem outras tantas iguarias que luta pela designação de origem que vem a ser a base do terroir.
Vamos acompanhar mais adiante esse chamego improvável entre alemães e mineiros.
DICA DA SEMANA
Maionese
Chegar ao ponto ideal ao preprar maioneses costuma dar um pouco de trabalho. Mas uma boa dica para não perder o ponto da maionese: vai haver um momento em que o fio de óleo que se joga vai boiar ao invés de entrar direto no redemoinho. Nesse momento vê-se que a consistência da maionese já segura o óleo na superfície, ela está pronta. Mas se passar e desandar, jogue outra gema e bata novamente.
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