Duas notícias publicadas pelo Comércio e pelo Portal GCN, além de divulgadas pelos noticiários da Difusora, mostram exemplos de como a Saúde Pública vem sendo negligenciada não só no município mas também em todo o País. A aplicação de soro com data de validade vencida em uma criança de cinco anos no Pronto-socorro Infantil e o sufoco passado por pacientes da UBS (Unidade Básica de Saúde) do Brasilândia por causa de uma forte chuva, quando as goteiras se multiplicaram e houve o temor de que o teto do prédio desabasse, demonstram que os problemas de gestão e de gerenciamento no setor continuam atingindo quem necessita de atendimento médico gratuito.
Não há qualquer fato que justifique estas duas ocorrências, consideradas graves e que não deveriam mais ocorrer. A falta de estrutura que permitiu a utilização de medicamento vencido e a inexistência de manutenção adequada, felizmente, não levou a conquências mais graves, mas a recorrência de fatos como estes pode levar a um caminho sem volta. Quem seria responsabilizado caso o soro causasse malefícios à saúde do garoto? Quem responderia caso o teto da UBS desabasse e causasse ferimentos (ou até coisa pior!) nas mães e crianças que esperavam atendimento?
São situações que não se pode mais suportar -- ou permitir --, diante dos pesados ônus dos impostos dos contribuintes para financiar os serviços públicos. O que se exige, apenas, é mais consideração e cuidado com a saúde humana. Falta carinho, compaixão e respeito dos entes públicos para com a população que não tem condições de bancar um plano de saúde particular -- cujos valores são proibitivos para a grande maioria dos trabalhadores brasileiros.
O que se pede é que os administradores -- federais, estaduais e municipais -- se conscientizem de que os serviços, por serem públicos, não precisam ser desumanos. Além disso, ao contrário do que se pensa, não são gratuitos. Saúde Pública, Ensino Público, Segurança Pública e outros são igualmente pagos pelo contribuinte, que financia a sua existência e apenas espera que o dinheiro seja administrado de forma consciente, honesta e dentro da moralidade.
Por isso, não há desculpas plausíveis que possam justificar a existência de medicamentos vencidos, mesmo que seja um simples soro, numa unidade de atendimento a crianças. E nem a precariedade de um prédio que recebe dezenas, centenas ou milhares de pessoas do espectro social carente. Ninguém gosta de ficar doente e nem busca atendimento médico por diversão ou lazer.
Quem vai ao PS Infantil e às UBS espalhadas pela cidade precisa realmente de atenção médica. Por isso, todos esperam apenas um atendimento digno. Já passa da hora dos administradores públicos e dos legisladores deixarem de lado picuinhas ideológicas e político-partidárias e se irmanarem na busca de soluções para resolver os problemas que deixam a Saúde Pública brasileira tão ineficiente. Para isso, antes de tudo é necessária vontade. Do contrário, vamos ainda noticiar muitos fatos deste tipo ou até piores.
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