Depois de passar pelo constrangimento de assistir aos dois principais líderes do PSDB na Câmara criticá-lo em público, Alexandre Ferreira sofreu outro golpe ontem. O radialista e ex-vereador Marcelo Valim deixou o partido atirando contra o prefeito, que é o presidente do diretório municipal da legenda. A perda é significativa: Valim foi vereador por dois mandatos, é o primeiro suplente e um dos pré-candidatos a deputado federal. Tem uma legião de ouvintes. “Carreguei o partido nas costas, mas o Alexandre não foi leal comigo.” Agora, no PPS, fará oposição ao governo que ajudou eleger. Não foi o único revés do dia. O empresário João Rocha abandonou o governista PMDB e anunciou sua migração para o PSD. Promete minar a administração (leia texto de apoio).
Valim apresenta um programa popular na rádio Hertz, emissora do ex-prefeito Sidnei Rocha. Com a popularidade alcançada, ganhou projeção e foi o vereador mais votado do PSDB em 2004. Foi reeleito para o segundo mandato quatro anos depois. No ano passado, obteve 2,5 mil votos e ficou na primeira suplência.
Ontem, encerrou o seu ciclo no ninho tucano e não escondeu a decepção pelo que classificou de “ingratidão” do prefeito. “Fiz o que tinha de fazer, defendi o PSDB com unhas e dentes, mas não tive o trabalho reconhecido pela atual administração. Fui bem votado e o ajudei a ganhar as eleições mas, depois de eleito, ele nunca mais me ligou. Fiquei muito chateado.”
Pela sua participação na campanha, o radialista aguardava um convite para ser secretário ou ocupar cargo no alto escalão. Além de não ter sido contemplado, viu as vagas serem ocupadas por membros de outro partido. “O Alexandre arrumou serviço para todo mundo do PMDB no gabinete. Eu não queria emprego, mas apenas um reconhecimento, uma palavra de agradecimento.”
Valim disse que, quando vereador, sempre atuou para evitar que o então secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, passasse por desgastes na Câmara. “Todas as vezes em que o Paulo Afonso e o professor Silas (ex-vereadores do PT) tentaram montar uma CEI para investigar a Saúde, eu o chamei para dar explicações na Câmara ou no meu programa e evitamos a abertura. Ele não foi leal.” O agora ex-tucano acredita ter a explicação por não ter sido aproveitado no governo municipal. “O problema meu é que eu não puxei o saco dele.”
O radialista se filiou ao PPS, partido dos vereadores Marco Garcia e Zezinho Cabeleireiro, que integram a base de apoio a Alexandre Ferreira na Câmara. Ele disse que continuará falando o que pensa da administração. “Nunca fui e nunca serei controlado por ninguém. Vou pela minha cabeça.” A assessoria do prefeito informou que ele não comentará as declarações do antigo aliado Valim.
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