O primeiro dia do mês de outubro reacendeu o embate entre o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e os servidores municipais da Saúde. Através de um comunicado verbal e sem muita formalidade, alguns servidores foram avisados que a partir de ontem eram obrigados a cumprir a carga horária integral, de 40 horas semanais. Enquanto muitos reclamavam da forma como receberam o aviso, outros afirmavam desconhecer a ordem. Resumindo, a terça-feira foi de muita confusão nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de Franca.
O Comércio entrou em contato com 12 unidades em busca de funcionários que tinham recebido o comunicado. Aqueles que aceitaram se pronunciar pediram para não serem identificados. Todos alegam medo de represálias. “Não quero que coloquem meu nome, porque eles perseguem muito a gente”, pediu uma das servidoras entrevistadas.
Entre as diversas insatisfações, a que mais revoltou os servidores ontem foi a informalidade do comunicado. “Não deram tempo para a gente que, por exemplo, tem filho pequeno e dois empregos. A gente queria só um tempo maior para nos organizar, mas com eles não tem conversa. Só chamou os diretores, fez a reunião e mandou avisou. Caiu como uma bomba”, disse uma técnica de enfermagem.
As críticas ao atual prefeito não foram poupadas. Segundo outra servidora, Alexandre Ferreira não é coerente. “O Alexandre quer mostrar serviço e já falou em outras brigas dele aí na cidade que vai e arrebenta. A Saúde de Franca é referência no Estado com a gente, há 25 anos, trabalhando 30 horas semanais. Se o Sidnei [Rocha, ex-prefeito] ficar do nosso lado acredito que o Alexandre volta atrás. O Sidnei pode ter todos os defeitos que for, mas foi um prefeito coerente. Queremos continuar cumprindo o decreto dele.”
Sindicato
O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Luiz Fernando Nascimento, confirmou a existência da determinação. A orientação é que os funcionários cumpram a jornada integral até que as negociações com a Secretaria Municipal de Saúde sejam concluídas. “Por determinação do prefeito é para todos fazerem a partir de hoje [ontem] a carga horária do contrato. A intenção era que todo mundo parasse, mas uns estão voltando e não tem uma união completa ainda. Assim é necessário que todos cumpram a determinação dele por enquanto”, disse Nascimento.
Sem outro lado
A secretária da Saúde, Rosane Moscardini, mais uma vez não atendeu os telefonemas nem respondeu o e-mail da reportagem para comentar se realmente a jornada integral começou a ser obrigatória na data de ontem.
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