Com nomes de mortos, trio é acusado de dar golpes que podem chegar a R$ 200 mil


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Barracão era usado para descarregar carga adquirida de forma fraudulenta em empresas de Franca
Barracão era usado para descarregar carga adquirida de forma fraudulenta em empresas de Franca

A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) identificou dois vendedores de calçados e um industrial suspeitos de aplicar golpes no setor comercial de Franca. O trio é acusado de abrir três empresas de fachada em nomes de pessoas mortas e usar os CNPJs para fazer compras e não pagar. Até o final da tarde de ontem, os investigadores Marcos Euclides e Renato Silva, sob comando do delegado Márcio Murari, já localizaram oito vítimas. O número, no entanto, segundo a polícia, pode passar de 40 e o valor com o estelionato chegar a R$ 200 mil.

Os golpes foram descobertos a partir da desconfiança do proprietário de uma loja de materiais para construção. Um de seus funcionários efetuou uma grande venda. Os materiais foram entregues na rua Pará, 385, no Jardim Riviera. O comerciante esteve no local e descobriu que caminhões com mercadorias chegavam e descarregavam no loca. Depois, outro veículo retirava os produtos do prédio. Ele comunicou o caso à polícia e o golpe cresceu, pois mais comerciantes procuraram denunciaram terem sido vítimas.

Murari abriu inquérito para apurar os fatos e as investigações levaram a DIG a três empresas: Clacy Comércio e Distribuidora, DS Fontana e JS Calçados. O trabalho policial apontou que as três, com endereços nos bairros Brasilândia e Riviera, eram controladas por três homens. “Eles usaram CNPJs das três para comprar na praça e não pagar”, disse Marcos Euclides. Elas só existem no papel e os documentos usados para abertura das mesmas seriam de pessoas mortas.

Lojas de materiais para construção foram as vítimas mais frequentes, mas na lista há lojas de móveis para escritórios, revenda de pneus e até empresa de aluguel de produtos para festas. Locadoras de equipamentos para construções também figuram na relação de empresas lesadas, assim como distribuidora de bebidas.

Os três homens suspeitos foram identificados pela polícia e responderão em liberdade. Parte dos materiais obtidos com os golpes foi recuperada com um industrial que reside no Jardim Panorama. Um dos vendedores de calçados envolvido, este residente na Vila Duque de Caxias, também foi indiciado. O outro, morador no City Petrópolis, está sendo procurado. A maior parte dos produtos foi usada na reforma de uma chácara localizada em um condomínio no quilômetro 10 da rodovia Felipe Calixto, entre Franca e Ribeirão Corrente.

Como a maioria dos golpes foi aplicada entre agosto e meados de setembro, a DIG trabalha com a hipótese de que as vítimas só descubram os crimes a partir do vencimento dos boletos bancários e notas promissórias emitidas em nome das três empresas. “A reportagem pode ajudar a encontrarmos mais vítimas”, disse Euclides.

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