Água se tornou quase um artigo de luxo para os moradores de São José da Bela Vista. Isso porque eles passam quase metade do dia sem nenhuma gota nas torneiras. A reclamação é antiga e o problema diário. Enquanto o poder público não normaliza o abastecimento, a população sofre. Alguns moradores, apesar de revoltados com a situação, dizem que já se habituaram e se organizaram para utilizar água “apenas quando tem”. Outros armazenam em recipientes e muitos dizem que o jeito é deixar os serviços domésticos acumulados.
A dona de casa Eliana Ribeiro de Faria, 38, diz que louça na pia, roupas sujas dentro de baldes e recipientes armazenando água compõem o cenário comum da casa em que vive com o marido e quatro crianças, no Centro da cidade. “Às 11 horas não tem mais água na torneira. A louça do almoço fica para lavar na janta. Aí você tem que fazer o jantar, lavar a louça e a roupa mesmo tempo. E não dá pra fazer tudo. Ainda fica um pouco para fazer no outro dia. E vai acumulando”, disse.
Em outro bairro, no Alto da Juventude, a professora de inglês Geovana da Silva Oliveira também sofre com o racionamento diário. “Eu chego às 12h20 da escola e não tenho água. Preciso esperar até as 16 horas para fazer o serviço”, disse.
Dezenas de moradores entrevistados pelo Comércio esta semana em São José foram unânimes em dizer que o abastecimento de água é um problema na cidade. “Além de faltar, quando a água vem é suja demais”, disse a dona de casa Alessandra Oliveira, 24. Ela conta que para lavar as roupas, muitas vezes, é preciso colocar um pano na torneira para filtrar a sujeira. “Roupa branca fica amarela, porque a água é lamentável. É só barro. Não dá nem para usar máquina”, reclamou.
Abastecimento
A Prefeitura admitiu que a interrupção no fornecimento de água acontece diariamente em dois períodos - das 11 às 16 horas e das 22 às 4h30 - porque a capacidade de abastecimento é limitada. Para o engenheiro químico responsável pelo Departamento de Água, Caio César Natali, o crescimento da cidade, aliado à falta de investimentos para manutenção da ETA (Estação de Tratamento de Água) ao longo dos anos, prejudica o abastecimento.
Para solucionar o problema, a Prefeitura informou que conseguiu junto à Funasa (Fundação Nacional de Saúde) recursos na ordem de R$ 1 milhão para a construção de uma nova ETA. O município aguarda vistoria para poder iniciar o processo licitatório.
A administração informou que uma estação mais compacta, moderna e automatizada substituirá a atual em que “os registros são velhos, há trincas e vazamentos, o que causa um grande desperdício”.
Enquanto a nova ETA não sai do papel, a cidade investe R$ 200 mil na manutenção e troca de filtros da estação.
Sem controle
A Prefeitura de São José da Bela Vista não consegue mensurar o consumo de água de cada imóvel da cidade separadamente porque não existem hidrômetros. “Moro aqui há mais de 50 anos. Nenhum prefeito quis colocar o relógio [hidrômetro]. Preferiram ficar sem a briga política”, disse o mecânico aposentado José Carlos Pereira Silva, 66.
Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, a tarifa mensal de água é de pouco mais de R$ 13. Mesmo com o valor baixo, muitos moradores deixam de pagar. “O valor recebido com as tarifas de água não representa nem 20% dos custos que a Prefeitura tem para fazer o abastecimento”, informou.
Após a construção da nova ETA, a Prefeitura estuda instalar hidrômetros em todos os imóveis onde existem ligações de água.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.