De vez em quando recebemos lições valiosas que partem de onde menos esperamos. O reino animal, daqueles chamados irracionais, é pródigo em nos mostrar o ‘caminho das pedras’ para a felicidade humana, mas infelizmente ainda não temos conseguido captar estes ‘sinais’ e apelos à realidade. Por isso, ainda nos vemos envolvidos em conflitos, guerras e violência, a maioria causada por intolerância. Falar em violência gratuita é redundância: não há outro tipo. O ser humano mata pelo simples prazer de tirar a vida de seu semelhante. Não há notícia de que exista na natureza, entre os animais adjetivados de irracionais, comportamento semelhante.
A história da cachorra Jade, que se assenhoreou da ninhada da gatinha Mel e passou a cuidar dos felinos como se fossem seus, inclusive produzindo leite, embora tenha apenas dois anos, não esteja prenha ou tenha dado à luz filhotes, para alimentar sua ‘ninhada’. Jade é uma cadela da raça pitbull, para muitos sinônimo de ferocidade. Porém, a sua atitude desmente totalmente a crença de que a índole do animal depende de sua raça. Há outros fatores, como o meio em que vive e a forma como é adestrado, capazes de levar aos padrões conhecidos.
Porém, Jade dá mais lições aos humanos ao mostrar que a intolerância -- seja ela racial, religiosa, política ou de pensamento -- é a causadora da maioria dos males que vivemos hoje. Os ataques terroristas que se multiplicam (e um deles causou a morte de muitos inocentes na semana passada no Quênia)a tem como seu leitmotiv. Na maioria das vezes intolerância religiosa ou racial, que grassa em diversos pontos do planeta e que hoje se intensifica no Oriente Médio: são palestinos contra israelenses, estes contra iranianos e estes contra os Estados Unidos. São exemplos recentes, mas que se repetem por toda a História da Humanidade.
Para Jade tudo foi simples: queria os filhotes, raptou-os e os cria como se fossem pitbulls também. Mel, a gata mãe, acompanha ao largo porque ela sabe muito bem que entraria numa briga inglória pela guarda dos pequenos felinos. E eles, como se pôde confirmar em reportagem do Comércio da semana passada, também não atinam para a diferença. Aceitaram a mãe e com ela se sentem protegidos.
Já o ser humano, considerado racional, é capaz de atos bárbaros que não comportam qualquer tipo de explicação. Nós somos pródigos em não aceitar regras e tentar a sua burla sistematicamente. Também somos mestres na arte de dissimular, fingir e até matar sem que haja uma explicação razoável. Animais matam seres de outras espécies para se alimentar. Nós também. Mas os ditos irracionais não matam os de sua própria raça apenas pelo ato de matar.
E nisso nós nos diferenciamos deles. Matamos por bens, matamos por ciúmes, matamos por vingança, matamos por raiva, matamos por inveja... Nos últimos tempos temos visto uma série de fatos que corroboram esta opinião. O que preocupa é o caminho que a chamada Humanidade trilha, já que fica difícil se fazer uma previsão sobre qual mundo deixaremos para os nossos filhos e netos.
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