Bandidos invadem fazendas em Patrocínio e levam de joias a porco


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Adolfo Alvarenga ao lado de animais de sua propriedade. 'É muito bandido e a gente desanima'
Adolfo Alvarenga ao lado de animais de sua propriedade. 'É muito bandido e a gente desanima'

Ter um sítio ou uma fazenda em Patrocínio Paulista, tornou-se um problema. Proprietários de terrenos da região próxima a Estrada do Leite - que liga a cidade a Altinópolis - são alvos fáceis para bandidos que se aproveitam para furtar e roubar qualquer objeto ou mesmo animal que renda algum valor em dinheiro. Qualquer coisa vale. Eletrônicos, joias, fios de cobre e até criações inteiras de animais como galinhas e porcos.

Cansado e traumatizado por se ver à mercê dos ladrões, um sitiante desistiu da vida no campo e se mudou para o centro da cidade. À reportagem, ele contou ter ficado amarrado ao lado da mulher e sob a mira de um revólver por cinco horas. Enquanto isso, os bandidos levavam tudo o que tinha.

Ele não foi o único. Uma fazenda foi invadida três vezes nos últimos 30 dias. O dono, um empresário francano do setor têxtil que pediu para não ser identificado, contabilizou um prejuízo de quase 15 mil reais. Segundo ele, os bandidos primeiro atacaram a casa principal, de onde levaram todo os produtos de valor que conseguiram carregar. Um dia depois, os desconhecidos voltaram para saquear 120 metros de fios de cobre. “Eu acredito que no primeiro furto eles notaram que havia muito cobre aqui e no dia seguinte voltaram para pegar”, disse o empresário. Para piorar, dias depois, após trocar toda a instalação elétrica, a vítima tornou-se alvo novamente. “Além de ficar sem energia, estou gastando mais R$ 3 mil para deixar tudo em ordem. Desse jeito não dá”, comentou.

O lavrador aposentado Adolfo Ferreira de Alvarenga, 62, tem um sítio de 500 metros quadrados às margens da estrada. Há cerca de 20 dias, ele teve toda sua criação de galinhas caipiras furtada. Alvarenga disse que comprou o lote há dois anos e já foi várias vezes atacado. “Tenho o sítio só para passar tempo. Cuido de criação, planto algumas verduras, mas não venço. É muito bandido e a gente desanima”.

Em todas as propriedades visitadas pela equipe de reportagem do Comércio da Franca, no final da última semana, cada produtor indicou pelo menos outros três ou quatro lugares que já foram invadidos por marginais. Em outra fazenda de propriedade da Santa Casa de Patrocínio Paulista, contratar caseiro para cuidar do local não é mais uma opção. “Ninguém aceita morar aqui. A casa é invadida direto. Da última vez levaram toda a fiação. Só sobraram os arames e outros fios sem valor”, disse o agricultor Osmar Cardoso de Sá, 49. No caso relatado pelo agricultor, houve tempo suficiente para ele, a pedido do antigo caseiro, acionar a Polícia Militar. Três bandidos que fugiam pelo canavial que cerca a propriedade, foram presos.

Segundo o investigador João Vital, da Polícia Civil de Patrocínio, o problema de invasões na zona rural não é um problema exclusivo do município. Ele alega que são vários os fatores que facilitam esse tipo de crime como a falta de prevenção e malícia dos proprietários rurais, pois muitas vezes eles deixam suas casas desocupadas por vários dias. Entre os policiais da delegacia, há suspeitas de que bandidos do Jardim Aeroporto, em Franca, possam ter envolvimento em alguns dos furtos.

Em nota oficial, a PM informou que registrou três furtos em agosto e mais três em setembro na área rural de Patrocínio Paulista. O texto complementa ainda que assim, “o planejamento operacional para emprego das viaturas na região foi readequado, de forma a atender a demanda e reforçar o patrulhamento na zona rural”.

‘Foi a maior vergonha que passei na vida’
O comerciante José Oswaldo Gomes, de 62 anos, tinha um bar às margens da Estrada do Leite, a 14 quilômetros do centro de Patrocínio Paulista. Traumatizado, ele abandonou o negócio, há quatro meses, depois que ficou por cinco horas sob a mira de um revólver. “Foram três homens. Um deles bateu na minha porta, pensei que fosse algum conhecido e abri. Eles me amarraram com a minha mulher e levaram tudo o que eu tinha. Foi a maior vergonha que passei na vida”, disse o lavrador.

Ele resolveu mudar para zona urbana onde tem mais segurança. “Já havia sido furtado não fazia dois meses. Ainda tenho o sítio, mas não volto. Tenho medo. Alguém tem que fazer algo por nós”, pediu.

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