Personificação e poder


| Tempo de leitura: 2 min

Nos últimos dias, Franca tem assistido a alguns desencontros entre políticos de uma mesma base aliada. Em função disso, sobram especulações, ataques e ironias em relação a todos os envolvidos. É importante, no entanto, atentarmos para uma característica histórica de nossa política: a personificação ou personalização do poder. Geralmente mais afeita a regimes autoritários, essa personificação também é possível em regimes democráticos. No caso brasileiro, ela é resultado da cultura política aqui implantada desde o primeiro instante de nossa fundação.

Historicamente, vivemos quase cinco séculos entre extremos bastante opostos. De um lado uma elite violenta e ávida pelo poder. De outro, escravos e pequenos comerciantes que não faziam nada além de emprestar ao país a força física de seu trabalho. No intermédio de tudo isso, uma administração extremamente centralizada, impondo seus interesses e suas vontades de forma inequívoca. Dessa forma, os brasileiros não se acostumaram a pensar criticamente em relação à política ou às formas de governo, o que acabou criando um campo fértil para atuação individual de homens que buscam personificar os desejos e as necessidades que permeiam o imaginário popular.

Mas não é só isso. Também o absurdo número de partidos contribui para essa personificação de poder. Sem parâmetros ideológicos precisos, e com interesses pessoais muito bem definidos, esse excesso de partidos acaba empurrando nossa desinformada, mas desconfiada população, para o desinteresse completo em relação à política.

O que sobra de tudo isso é a identificação dos eleitores com um indivíduo que no entender da maioria pode representar a solução de seus intermináveis problemas. Em contrapartida, isso cria nesse mesmo indivíduo uma sensação inebriante de poder, afastando-o da necessária razão que deve prevalecer no mundo da política. No fundo, um jogo de vaidades que não perpassa apenas um dos jogadores, como sugerem alguns, mas sim a todos. Isso, infelizmente, aguça ainda mais as individualidades em detrimento do grupo, o que é ruim para a cidade.

Maurício Buffa
Professor e Consultor de Marketing

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários