Celebrado na última sexta-feira, 27, o Dia Nacional da Doação de Órgãos é uma excelente oportunidade para que o assunto -- bastante comentado nos últimos meses em Franca em razão da Semana Ana Laura (a garota guerreira que morreu à espera de um transplante de medula óssea) e da luta da advogada Carolina Parzewski Guimarães Vivenzio, 36, que corre contra o tempo para conseguir um transplante de medula capaz de salvar sua vida -- continue em pauta. Enquanto o governo comemora a disposição dos brasileiros em doar órgãos, além da redução das filas para o transplante vivemos de perto o drama de milhares de brasileiros que esperam pela cirurgia e esbarram nas limitações impostas pelo sistema público de saúde.
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam para o aumento da disposição dos brasileiros em doar órgãos. A negativa para doação caiu de 80%, em 2003, para 45%, em 2012. Nos últimos dez anos, o número de doadores dobrou, passando de 6,5 por milhão de pessoas para 13,5 por milhão de pessoas em 2013. Os dados revelam também queda de 40% na quantidade de pessoas na fila de espera por transplantes nos últimos anos. Em 2008 havia 64.774 pessoas na fila, em 2013, são 38.759.
O ministério avalia que campanhas de incentivo à população e os incentivos financeiros do governo em ampliar a rede habilitada para realizar transplantes contribuíram para o avanço. Porém, mesmo assim atualmente o número de doadores ainda é consideravelmente baixo entre os mais jovens e os idosos, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Atualmente, quatro Estados (São Paulo, Pernambuco, Paraná e Rio Grande do Sul) e o Distrito Federal acabaram com a fila de espera para o transplante de córnea. Esse procedimento responde por 60% dos transplantes realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ou seja, os números contemplam o tipo mais comum de doação e transplante.
Embora os dados sejam por demais animadores, precisamos avançar muito para que o País alcance a excelência neste tipo de cirurgia. Enquanto a disposição de doar aumenta, muitas vezes perde-se a oportunidade de beneficiar doentes crônicos pela falta de logística no transporte dos órgãos. Muitas vezes os órgãos doados, que beneficiariam vários pacientes, não consegue ser transportado em tempo hábil.
O caso do transplante de medula óssea, que encontra limitações junto ao Ministério da Saúde quanto ao número de doações, é a face mais perversa do quadro que o Brasil enfrenta. Como encontrar doadores compatíveis é bastante difícil, muitos pacientes como Ana Laura acabam morrendo antes mesmo se iniciarem o procedimento. A queda nas negativas de doação é animadora, mas é necessário que o brasileiro se conscientize do benefício que poderá levar a quem espera na fila pelo transplante, enquando deve caber ao governo não apenas incentivar as doações, mas também criar condições para que as intenções sejam transformadas em ações concretas em favor da vida.
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