Movimento em busca de doadores de medula óssea ganha as ruas


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Dezenas de pessoas participaram de carreata na manhã de sábado em busca de doadores de medula. Ação marcou o encerramento da 1ª Semana Ana Laura de Doação de Medula Óssea
Dezenas de pessoas participaram de carreata na manhã de sábado em busca de doadores de medula. Ação marcou o encerramento da 1ª Semana Ana Laura de Doação de Medula Óssea

O movimento pela busca de doadores de medula ganhou as ruas de Franca na manhã de sábado. A carreata marcou o encerramento da 1ª Semana Ana Laura de Doação de Medula Óssea, que aconteceu de 22 a 29 de setembro. Sociedade civil, motociclistas, integrantes do Jeep Clube e de motoclubes de Ribeirão Preto vestiram a camisa em nome de uma causa em comum: aumentar o número de cadastros e doadores.

Os grupos se concentraram em dois postos de combustíveis, localizados na avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso, para aguardarem a chegada dos demais participantes que vieram de cidades da região para encorpar a carreata. O destino era o Hemocentro de Franca, onde todos poderiam fazer o cadastro para se tornarem doadores.

O vereador Adérmis Marini (PSDB), autor da lei que criou a semana de doação em Franca, relembrou as dificuldades e avanços que surgiram. “Apareceu uma portaria do Ministério da Saúde que limitava o número de doadores, mas a família da advogada Carolina Parzewski [que lutar por um transplante] conseguiu derrubar essa portaria na Justiça Federal. O ministro [Alexandre Padilha] foi lá e editou uma outra portaria, inclusive com investimentos na ordem de R$ 39 milhões em captação de doação de medula óssea. Então acho que o reflexo não foi só em Franca”, disse.

Pilotando um triciclo, Anderson Carlos da Silva, pai de Ana Laura, a garota guerreira que morreu à espera de um transplante de medula óssea e inspirou a semana de doação em Franca, foi quem puxou a carreata. “O importante é as pessoas se conscientizarem de que, para cada pessoa com leucemia, precisamos de, no mínimo, de 100 mil cadastradas”, disse.

Presente na carreata, o vice-prefeito Fernando Baldochi (PMDB) afirmou que a mobilização conseguiu atingir os objetivos. “A gente espera que as pessoas continuem fazendo seu registro, se cadastrando para que essa mobilização consiga atingir aquelas pessoas que precisam de um doador compatível para se curar”, disse.

Durante o percurso da carreata nenhum carro da Polícia Militar e nem do departamento de trânsito da Prefeitura foi visto dando suporte ao evento.

Explosão
Em dez dias mais de 500 pessoas se cadastraram para ser doadoras no Hemocentro. A explosão aconteceu depois que a Justiça Federal de Franca concedeu liminar, no dia 17 de setembro, suspendendo os efeitos da portaria baixada pelo ministério da Saúde, que limitava em 200 o número de cadastros mensais na cidade.

Reconhecimento
Na semana passada, os vereadores homenagearam pessoas que incentivaram a doação de medula óssea em Franca. Receberam o troféu Ana Laura a enfermeira Renata Bertolucci, a professora Rita Mozetti, a coordenadora Kátia Moura, o diretor Almir Barbosa e o jornalista do GCN Edson Arantes.

“Foi uma noite para homenagear aqueles que se envolveram na campanha desde o início, sobretudo para mostrar os expressivos resultados que a mobilização gerou não só em Franca, mas em todo o País”, disse o jornalista do GCN, se referindo ao aumento de doações, a liminar que suspendeu os efeitos da portaria que limitava os cadastros e à medida do governo que aumentou os investimentos para captação de medula.

Hoje a lei está presente em mais de 100 cidade. “Até mesmo no interior do Amazonas foi aprovada uma lei com o nome de Ana Laura”, completou.

Saiba como funciona a doação
A doação de medula óssea esteve em destaque nos últimos dias. A população foi chamada a se cadastrar para aumentar a possibilidade de pessoas com leucemia conseguirem doadores compatíveis e, assim, fazerem o transplante, que poderia assegurar a vida delas. No período de 2008 a 2012, 48 pessoas morreram com a doença em Franca. Hoje, 40 estão em tratamento.

Segundo Marco Antônio Benedetti Filho, médico hematologista do Hemocentro de Franca, o banco de cadastros de doadores de medula óssea na cidade é de aproximadamente 18 mil pessoas.

Para ser doador, o interessado deve fazer um cadastro e colher 10 mililitros de sangue “da veia, como qualquer exame de laboratório”. O material colhido é encaminhado para Ribeirão Preto, onde é feito um exame para verificar a compatibilidade. O resultado é encaminhado ao Redome, um cadastro nacional que reúne dados de todos os doadores do País.

A doação
Quando é identificada a compatibilidade, a pessoa é chamada a ser doadora. Ela passa por vários exames e agenda uma data para que possa fazer o procedimento. “É feita uma punção no osso do quadril, com agulha, para aspirar o sangue que fica dentro do osso, que é a medula óssea”, explicou Benedetti. “Não fica faltando nada no organismo da pessoa que doa medula óssea. A medula se refaz em pouco tempo e a pessoa pode doar quantas vezes forem necessárias”, explicou o médico.

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