Uma borboleta em Araçatuba pode provocar uma tempestade em Piracicaba. Frases figuradas desse tipo costumam ser ditas em encontros acadêmicos da área de meteorologia para ilustrar como pequenos eventos somados podem provocar grandes consequências. Os sistemas naturais são tão complexos e dinâmicos que não se pode menosprezar nem mesmo o simples bater de asas de uma ingênua borboleta. E quando o “efeito borboleta” é uma gigantesca nuvem de fumaça tóxica como a que percorre o litoral brasileiro no momento? É hora de avaliar o quanto a cidade em que se vive está integrada a uma teia bem mais ampla. E perguntar: a Defesa Civil está preparada para atuar em casos de tragédias ambientais desse porte, ainda que tenham origem em outras regiões? Vale a pena refletir sobre as lições desta semana em Santa Catarina.
Técnicos governamentais entraram em estado de alerta na noite de terça-feira, 24, com a explosão de parte de uma fábrica de fertilizantes em São Francisco do Sul, litoral catarinense. Quando os poluentes foram vistos na Baixada Santista, ainda que em proporções pequenas, a Cetesb apressou-se em evitar o pânico ambiental e garantiu que não há motivos para preocupação. Também o Inpe, de São José dos Campos, manifestou-se na mesma linha. Mas não é uma fumacinha qualquer, tanto que foi vista em imagens de satélite da Nasa.
Antes que os ânimos ambientalistas pudessem ser acalmados pelos órgãos oficiais, houve momentos de tensão no litoral paulista. A pluma de nitrato de amônia avançou pelo litoral paranaense e atingiu primeiramente a região de Cananéia e Iguape, no Litoral Norte, e depois chamou a atenção de observadores mais atentos até na região de Paraty e Angra dos Reis em território fluminense. Na sexta-feira, 27, a mancha se aproximava do Espírito Santo. Mesmo não oferecendo riscos à saúde pública, não faltaram advertências de cautela devido ao poder de potencialização dos poluentes por meio de um ciclone extratropical. “Todo cuidado é pouco, pois crianças pequenas, idosos e pessoas com problemas de rinite e asma são mais sensíveis”, alertou o diretor científico da ONG Amigos das Águas, o especialista em geologia ambiental Rodolfo Bonafim.
Se a moda pega...: As redes sociais divulgaram os horrores do comércio na China de chaveiros com animais vivos. Antes que a mania eventualmente chegue ao Brasil, o deputado estadual Feliciano Filho (PEN) quer cortar a ideia pela raiz. Ele quer emplacar lei que proíba a distribuição de animais vivos, bem como a sua exposição, utilização e transporte “em situações que provoquem maus-tratos”. Os animais destinados à venda não poderão ser mantidos em locais inadequados ao seu porte, sem água, comida e condições de higiene, prevê.
Faturas explícitas: A Assembleia Legislativa aprovou projeto de lei que obriga a inclusão de dados cadastrais dos usuários nas faturas das empresas prestadoras de serviços públicos do Estado de São Paulo: nome e endereços completos com CEP, CPF e/ou CNPJ. O motivo é que para comprovação da residência do consumidor, empresas costumam valer-se de contas de faturamento de água, esgoto, gás, telefone e energia elétrica. Mas nem todas as concessionárias preocupam-se em incluir os dados completos. Daí o projeto de autoria do deputado Orlando Morando (PSDB), que segue agora para sanção do governador Alckmin. Algo tão óbvio e aparentemente simples e de grande utilidade ao cidadão no dia a dia, precisava de uma lei para se tornar realidade?
Contra a dengue: Vacina desenvolvida no Brasil, em parceria com os EUA, poderá imunizar contra os quatro tipos de dengue. Testes em humanos serão iniciados em outubro pelo Instituto Butantã e pela Universidade de São Paulo (USP).
Wilson Marini
Jornalista - email wmarini@apj.inf.br
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