Ribeirão Preto ganha nesta segunda-feira, 30, um novo centro de lazer e compras. O Shopping Iguatemi, cravado na zona Sul da cidade, na nobre região da Vila do Golfe, reúne 200 marcas em um mix que inclui empresas inéditas e serviços exclusivos no interior. De olho no público da região, que segundo as perspectivas poderá corresponder a 60% da movimentação nos fins de semana, o shopping abre as portas com 80% das operações ativas.
Com uma injeção de R$ 259,5 milhões e após dois anos de obras, o complexo ligado ao grupo Jereissati, erguido através de uma parceria com a Vila do Ipê, WTB e Retiro do Ipê, engrena a partir desta segunda-feira com a mão de obra de cerca de 3.500 pessoas e expectativa de receber 150 mil veículos por mês.
Tudo o que acontece entre as paredes e sob o teto - onde sobrepuja uma estrutura de vidro - está sob a égide de Daniel Lotufo, de 35 anos, gerente geral do shopping em Ribeirão. Um administrador de empresas paulistano, pós-graduado pela Fundação Getúlio Vargas e pela Fundação Dom Cabral, que construiu carreira meteórica dentro do grupo Iguatemi.
Após se destacar por oito meses como gerente trainee de operações, função na qual ingressou em 2010, Lotufo assumiu o cargo de gerente geral do shopping Market Place (do mesmo grupo) e, há dez meses, mudou-se com a família para Ribeirão, cidade que elegeu como a sua preferida. “Não quero mais sair daqui. Adoro o clima e uma característica que até me arrepia: nunca fui tão bem recebido em uma cidade como aqui, (...) as pessoas são acolhedoras”, afirma, com a experiência de quem contabiliza a sétima mudança em dez anos.
Jovem, mas experiente, ele aponta o ineditismo e exclusividade de estrutura, marcas e serviços como principais apostas para ganhar território em uma cidade com três shoppings consolidados - RibeirãoShopping, Novo Shopping e Santa Úrsula.
Na gama de novidades estão um cinema com salas de luxo, serviço de garçons e cardápio sofisticado; um posto da Polícia Federal para emissão de passaportes; uma academia de primeira linha e uma boa dose de estreias na região.
O Magazine Luiza e a presidente, Luiza Helena Trajano, foram citados por Lotufo, com bom humor, como “rainha de Franca” - dada a importância econômica do grupo - que inaugura uma loja conceito, com vitrine virtual e mostruário interativo no Iguatemi. Além do grupo, Franca estará representada por marcas como Carmen Steffens, Lapidin e MG Sports.
Franca, aliás, é uma das cidades com potenciais consumidores, segundo o gerente.
Por que Ribeirão foi escolhida para a instalação de um shopping da rede Iguatemi?
Ribeirão estava no radar da Iguatemi como um sonho antigo. É uma das principais economias do Brasil. Por ser uma cidade do interior de São Paulo e ter um PIB (Produto Interno Bruto) que se equipara a muitas capitais, a gente não poderia ficar de fora. Estamos falando de uma economia que envolve todo o entorno, todas as cidades vizinhas. É como se fosse uma capital de uma sub-região.
Quais são os diferenciais do Iguatemi? Como acontecer e se firmar em uma cidade com três shoppings consolidados?
Estudamos muito antes de estar aqui em Ribeirão Preto. Todo o desenvolvimento econômico da cidade, da região, permite a instalação de um empreendimento do porte do Iguatemi. Existe espaço, demanda para mais um shopping center. Claro que a gente vem com o nosso diferencial para conquistar mercado. Posso elencar alguns, mas considero principais os diferenciais de arquitetura o próprio projeto do empreendimento, com open mall (área externa com paisagismo e espelho d’água) cercado por restaurantes e as áreas de skylights, com bastante iluminação natural, e também o mix de lojas que o shopping recebe, incluindo 30 marcas inéditas em Ribeirão e na região. Teremos a academia no padrão de uma Bodytech, que foi eleita a melhor academia do Brasil; e marcas internacionais que virão agregar, como a Top Shop (da Inglaterra), a Hugo Boss. Além também de ser um shopping bastante ancorado, com marcas importantes nacionais geradoras de fluxo, como a Riachuelo, a C&A e o Magazine Luiza. Cito ainda o cinema (Cinépolis), que é uma novidade, com salas VIPs, que não existem na cidade.
O shopping abre as portas com quanto das operações em atividade e como está prevista a evolução deste número?
A gente abre com 80% das operações e, até o final de dezembro, chegaremos a 95%. Cem por cento a gente atinge ao longo de 2014 e 2015. A gente deixa esses 5%, de forma estratégica, como reserva técnica para lojistas futuros que pretendemos trazer. São lojistas internacionais, que ainda estão chegando ao Brasil.
Qual o público que o shopping pretende atrair? Há foco em classes sociais específicas?
Será um shopping bastante democrático, esse é o nosso posicionamento. A gente quer acolher da mesma forma que Ribeirão nos acolheu. Claro que o foco do posicionamento do grupo e do Iguatemi Ribeirão Preto é o público A/B. Teremos muito mix de lojas destinado a esse público, mas não queremos ser um shopping de exclusão. Então temos também operações voltadas para um público de outras classes sociais, são operações bastante democráticas.
Os francanos são considerados potenciais consumidores? O shopping tem a expectativa de atrair público de um raio de quantos quilômetros?
Muito, sem dúvida nenhuma Franca é uma cidade que a gente está olhando como potencial, fazendo as nossas ações de mar keting, convidando o cliente a conhecer o Iguatemi, com campanhas de mídia chegando até lá. Sabemos do potencial econômico de Franca como principal polo calçadista do Brasil. Temos lojas de Franca, outras com fornecimento vindo de Franca. A gente tem aqui a “rainha de Franca”, o Magazine Luiza, com a Luiza Helena Trajano conosco, prestigiando o empreendimento. É uma das principais cidades do entorno. Considero, talvez, que, em nível de importância, depois de Ribeirão Preto Franca está entre as mais importantes do entorno. A gente pretende atingir não só a população de Ribeirão Preto, mas de todo o entorno, em um raio de no mínimo cem quilômetros. Inclusive vamos fazer ações para trazer esse público para cá. Durante a semana a gente acredita num percentual de 70% do público de Ribeirão Preto e, aos finais de semana, esse número deve dividir ou inverter, ficando em 60% de fora e 40% de Ribeirão.
Diante das novidades anunciadas, qual o peso do ineditismo nesse processo de fixação da marca Iguatemi?
É muito grande. A população cria uma expectativa em cima do novo. Tem que ser um shopping em que o cliente entre e fale ‘não estou em um shopping convencional, estou em um totalmente diferenciado’. Tem luz natural, tem paisagismo, é fácil de circular, é amplo, é bastante iluminado. Marca já tem nos outros shoppings concorrentes, (o consumidor) quer marca inédita. Se fossem as mesmas marcas não precisaria de um shopping novo na cidade. A gente vem com essas 30 marcas inéditas, justamente para mostrar que o Iguatemi veio para mostrar que é diferente e tem qualidade.
Que ações pretendem implantar para aproximar o grupo Iguatemi da comunidade?
Além da arquitetura e do mix de lojas, a gente quer ser referência em eventos em Ribeirão Preto. É uma forma de convidar a comunidade a conhecer o empreendimento e proporcionar algo mais do que simplesmente a experiência de consumo. É também proporcionar a experiência de lazer. O Iguatemi foi desonhado para completar todas as necessidades do cliente: lazer, compras, serviços e entretenimento em um único ambiente. A gente vem forte com eventos infantis, que acabam se tornando um evento para a família, e acreditamos que durante o fim de semana essas famílias virão completas de Franca e de outras cidades para aproveitar isso. Outro evento (com início na inauguração) é O Fantástico Corpo Humano, que além de ser lazer, é didático. Muitos médicos e alunos de medicina frequentam. São corpos humanos reais que passaram por um processo de mumificação e estarão dissecados, abertos. É uma exposição internacional e tivemos o privilégio de poder trazer.
O Shopping pode crescer ainda mais? Uma possível expansão pode acontecer em quanto tempo e sob quais condições?
Vendas (risos). Tudo o que fazemos é para gerar fluxo, consumo e proporcionar vendas para todos os lojistas. A gente tem uma expectativa de venda para os próximos cinco anos e, atingindo um determinado patamar de vendas (não revelado), a gente tem a expansão planejada. A curva de inauguração de um empreendimento é que nos primeiros cinco anos ele atinja um pico de maturação. Aí ele estará pronto para receber a sua primeira expansão. Pode acontecer antes ou depois, mas já temos em nosso planejamento estratégico fazer a expansão em 2018. A vantagem é que a estrutura física do empreendimento já nasce pronta para a expansão. Não vamos fazer ‘puxadinho’, nem alongar o shopping para frente, para trás ou para cima. A gente já tem uma área pronta. Basta encaixar as lajes e os pilares. Será integrado ao shopping, e não um anexo.
No momento em que o Iguatemi é inaugurado, sabidamente também de olho no consumidor francano, a Sonae Sierra Brasil anuncia que o Franca Shopping investirá mais de R$ 96 milhões em sua primeira expansão. A disputa por clientes é saudável sob todos os pontos de vista?
É saudável para os players que estão nessa disputa porque todos passam a buscar a melhoria da qualidade da sua operação. Isso faz a gente crescer enquanto empresa, negócio, padrão de qualidade. Ou seja, o padrão Iguatemi que a gente já considera em um patamar de excelência, vai ter que ser reformulado, vai ter que ser um padrão Iguatemi super-extra-top porque a concorrência está se mexendo - e copia também -, então a gente vai ter que se reinventar. Isso é importante para a indústria de shopping centers se reinventar: a gente aumenta a nossa eficiência, revisita os processos, aumenta até a produtividade. Isso é importante para o nosso negócio. E, claro, sem dúvida é o cliente que sai ganhando com todo mundo melhorando o padrão de qualidade.
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