Números que preocupam


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Os números divulgados pela SSP/SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo) mostram que, nos primeiros oito meses do ano o volume de ocorrências nos casos de estupro, roubos de veículos e tráfico de entorpecentes supera o registrado no mesmo período do ano passado. De acordo com os dados estatísticos, o registro policial envolvendo drogas foi o que apresentou o maior aumento percentual. Em 2012, entre janeiro e agosto, foram registradas 322 ocorrências por tráfico ou averiguação. Este ano, em oito meses, foram 426 registros ou 32,3% de ocorrências a mais. É um claro demonstrativo de que o consumo de entorpecentes torna-se um dos maiores flagelos que atingem a sociedade atual.

Em Franca, assim como em todo o País, o tráfico de drogas tem feito vítimas cada vez mais jovens, de forma crescente, sem que a administração pública em todos os seus níveis tenha apresentando uma solução capaz de tratar e recuperar os dependentes. Não foram poucas, no período citado, as ocorrências envolvendo porte e consumo de drogas nas imediações ou mesmo dentro de escolas, em pleno horário de aulas. Os programas anunciados pelos governos federal e estadual ainda não contemplam Franca que, para piorar, viu o vitorioso Proerd (programa da Polícia Militar que orientava estudantes da rede municipal sobre o problema das drogas) ser limado neste ano, substituído por outro, de responsabilidade da Secretaria Municipal da Saúde, que ninguém conhece.

Os números ainda trazem aumento nos casos de roubo de veículos (que se diferencia do furto pelo fato da vítima ser ameaçada de morte). E, muitas vezes, a maioria dos assaltos está estreitamente ligada ao tráfico de drogas. Ou seja, enquanto não houver uma ação efetiva e eficaz para tratar o viciado em entorpecentes (e neste campo o crack é o campeão), outros tipos de crime continuarão crescendo. Cria-se um efeito dominó (ou cascata), onde um ilícito puxa o crescimento de outro. E somente o trabalho de repressão policial não é capaz de interromper este círculo.

Já quanto aos casos de estupro, o crescimento foi de 23,5%, passando de 51 ocorrências em oito meses de 2012 para 63 neste ano. Neste caso, deve-se ressaltar que a mudança na lei (caracterizando qualquer ação libidinosa contra menores como estupro) e os estímulos para a denúncia elevam os respectivos números. Afinal, até algum tempo atrás a maioria das vítimas de estupro evitava a denúncia por vergonha, uma vez que havia o perigo do estigma. Quando passou a ser encarado (e tratado) como uma violência física e psicológica, as denúncias passaram a ser estimuladas e hoje fica difícil abafar este tipo de crime. Deve-se destacar que os números estatísticos não diferenciam se a violência é realizada contra menores, homens ou mulheres. Mesmo assim é um percentual alto que não deveria estar na cena em pleno século XXI. Mas, enquanto os seus responsáveis não forem julgados, condenados e sentenciados de forma exemplar, desestimulando outros à mesma prática, pouco se poderá fazer para acabar com o registro deste tipo de crime, hoje pela lei considerado hediondo.

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