Ana Laura e Carolina forçam governo dobrar cota de doadores


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A aprovação de campanha para incentivar doação de medula foi o ato de maior repercussão da Câmara Municipal este ano. Propostas parecidas já haviam passado pela casa sem serem notadas. Desta vez, a população abraçou a ideia sugerida pela filha do vereador Adérmis Marini (PSDB), que tinha se sensibilizado com a luta de Ana Laura, sua coleguinha de classe, e superlotou o Hemocentro para tentar salvar a menina. Jornais e rádios se uniram em torno de uma causa que é de todos.

O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) que, normalmente, assina leis em seu gabinete, fez questão de ir à Escola Pestalozzi sancionar a Lei Ana Laura. Fez um discurso emocionado e convocou os alunos para manter a chama acesa. ‘O espírito de solidariedade não pode parar. Fizemos um acordo com eles: quando o número do cadastro de doadores começar a cair, vamos motivar novamente as pessoas. A ideia é dar sequência à missão que a Ana Laura veio fazer e cumpriu.’ Sua equipe de comunicação gravou tudo. O material pode ser útil em campanhas eleitorais. A coincidência de Ana Laura ter morrido justamente no dia em que a lei foi aprovada, chamou a atenção do país. Vereadores de partidos diversos importaram a ideia. Estima-se que leis idênticas estão hoje em cem cidades.

O clamor popular foi decisivo para que a Justiça Federal derrubasse portaria que limitava o número de doações. Questionar a relevância da lei é perder o bonde da história. Com a repercussão, era natural que Adérmis ficasse em evidência, principalmente, nesta semana em que a campanha está nas ruas, mas essa projeção causou mal estar na Prefeitura. Aparentemente incomodado, Alexandre rompeu o pacto firmado com os alunos e ignora a campanha, como contou Adérmis na Câmara. ‘Tudo o que solicitamos à Prefeitura foi negado’.

Ao contrário do que os gênios da Prefeitura imaginam, a causa não é de um vereador, não é da imprensa, não é partidária. É pela vida. Tivesse ido à caminhada, Alexandre teria visto que havia gente deste Comércio, do Diário, da Hertz, do Sebrae, de fábricas, escolas, do PSB e do PT, entre eles, meu amigo Clóvis Ribeiro Guimarães, pai da advogada Carolina Parzewski, que foi secretário de Obras no governo Gilmar Dominici.

Presente para o Brasil: Ana Laura completaria 12 anos hoje. Ontem, o resultado de sua luta ajudou a beneficiar milhares de pacientes de leucemia em todo o país. O ministro Alexandre Padilha assinou portaria que aumenta as cotas para cadastros de doadores no Redome. A medida é reflexo imediato da Lei Ana Laura e do esforço de familiares de Carolina Parzewski, que levaram a Justiça Federal de Franca a derrubar a limitação, há uma semana. Com a decisão, poderão ser realizados até 400 mil exames por ano nos Estados contra os atuais 267 mil.
O impacto será de R$ 49,8 milhões.

Luva de pelica: Sidnei Rocha é mestre em mensagens subliminares. Foi à Câmara, vestiu a camisa da campanha, parabenizou Adérmis e Valéria. O recado chegou rápido à Prefeitura...

Cheiro de braquiária: Se Jépy Pereira (PSDB) cumprir a palavra, a votação em segundo turno do projeto que aumenta o salário dos assessores acontecerá terça-feira. Não me surpreenderei se algum vereador ficar com dor de barriga ou arrumar uma viagem de última hora...

Faz sentido: ‘Tenho 45 anos e não produzi muito. Gente com menos de 15 anos promoveram uma revolução e transformaram a comunidade. A Ana Laura é uma delas.’ (Alexandre Ferreira, 20 de abril, no Pestalozzi).

Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br

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