Estudante cai de maca e família acusa Santa Casa de 'descaso'


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Pedestre passa pela recepção da Santa Casa: hospital diz que paciente recebeu cuidados necessários
Pedestre passa pela recepção da Santa Casa: hospital diz que paciente recebeu cuidados necessários

O estudante Élder Eduardo Passagem, de 20 anos, ainda tenta esquecer o pesadelo que viveu no início desta semana. Com problemas de saúde ainda não identificados, ele precisou ser internado na Santa Casa de Franca. No hospital, desacordado e ainda entubado, foi deixado sozinho e sem o direito de receber visitas. Acabou caindo de uma maca. Ao acordar, se viu amarrado e foi avisado de que estava proibido de ser alimentado ou receber água. Só conseguiu ser ouvido quando sua mulher resolveu procurar a Promotoria e denunciar o descaso. Foram 17 horas sem qualquer tipo de alimentação e 26 até que um especialista o examinasse. Até o início da noite de ontem, ainda não havia diagnóstico para seu caso.

Há um ano, Élder sofreu um acidente de carro quando voltava de Cássia (MG) e, como sequelas, sofre constantes desmaios sem explicação. No último domingo, ele brincava com sua filha recém-nascida quando se sentiu mal e desmaiou. Familiares tentaram acordá-lo sem sucesso e resolveram acionar o Samu que o levou para o Pronto-socorro Municipal. Lá, foi direto para a sala de emergência. “Eu só ouvi dois gritos e logo todos saíram com ele entubado, dizendo que o caso era grave e que ele seria levado para a Santa Casa”, conta sua mulher, a professora Ana Carolina Silveira da Cruz, que o acompanhava.

Élder deu entrada no hospital por volta das 19 horas de domingo. “Foi o início do nosso pesadelo”, disse Ana. Ela foi proibida de acompanhar o marido e precisou esperar na recepção. Só foi chamada pela médica plantonista três horas depois. “Ela disse que podia ver meu marido por 30 minutos. Ele estava entubado e continuava desacordado.”

Ana questionou a médica sobre o diagnóstico do marido. Como resposta, recebeu apenas a informação de que nada havia sido identificado e, como não havia nenhum especialista no hospital, seu marido seria internado. “Ela disse que ele, por ser maior de idade, não tinha direito a um acompanhante. Eu a questionei, mas, mesmo assim, não me deixaram ficar.” Élder passou a noite sozinho.

Indignação
Logo nas primeiras horas da manhã da segunda-feira, Ana foi ao hospital. Mas ninguém a atendeu. Ela registrou queixa no setor de Ouvidoria. “Lá, me disseram que o especialista tem o prazo de 24 horas para ver o paciente e que eu tinha de esperar.”

Ela tentou ver o marido, mas foi impedida. O que fez com que ela novamente fosse procurar a Ouvidoria. “Eram perto das 11 horas quando me autorizaram a entrar. Encontrei meu marido ainda desacordado e amarrado à cama. Quando questionei as enfermeiras a respeito, elas me disseram que ele estava amarrado porque havia sofrido uma queda.” Ana ficou indignada. “Não me deixaram passar a noite com ele e o deixaram sozinho, desacordado.”

A indignação aumentou quando Élder acordou. “Ele reclamou de dores e disse que estava com sede. Pedi água para a enfermeira e ela disse que não poderia dar, que no prontuário dele estava prescrita dieta zero, que só quando o médico autorizasse ele poderia comer e beber.”

Ana quis, então, saber sobre a visita do especialista. Foi informada que ele só poderia estar no hospital no início da noite. “Aí eu não aguentei. Não bastasse todo o sofrimento com a queda e a falta de informação, ele ainda teria de esperar mais para ser alimentado e matar a sede. Me revoltei e liguei para o promotor de Justiça.” Eram 14h30, quando as enfermeiras levaram uma vitamina para o jovem.

‘Fingindo’
Segundo Ana, o médico especialista só foi examinar seu marido por volta das 22 horas da segunda-feira. “O neurologista veio e disse que o problema do meu marido era psiquiátrico, que ele estava fingindo para chamar a atenção e que a única coisa que podia fazer era interná-lo no Hospital ‘Allan Kardec’.”

Ana discutiu e disse que só deixaria o hospital quando seu marido fosse de fato examinado e passasse por exames. “Depois da minha briga, o médico resolveu pedir uma tomografia e um exame de sangue. Ainda não sabemos o que ele tem, mas pelo menos agora poderemos descobrir.”

Élder permanece internado. Para sua mulher, o “descaso” da Santa Casa é “revoltante”. “Eles não podem tratar a gente assim. Isso é desumano.” Ela disse que levará o caso à Promotoria. “Aqui eu já reclamei, mas não fizeram nada.”

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