A vida de Sara Cristina Garcia foi brutalmente ceifada aos 13 anos por um motorista embriagado
Infelizmente, mais uma vez temos que noticiar uma morte provocada pelo trânsito inconsequente e assassino de Franca. Agora, de uma garota de 13 anos cuja vida estava apenas começando e foi ceifada por um carro transformado em arma por motorista embriagado que dirigia em alta velocidade. Até quando iremos divulgar fatos como este, que enluta famílias, revolta cidadãos de bem e deixa bastante claro que a irresponsabilidade é um dos principais ingredientes deste dia a dia perverso que exingue vidas e não traz, em curto ou médio prazos, a justiça que a família da vítima merece?
Sara Cristina Garcia tinha treze anos e estava retornando para casa. A tragédia poderia ter sido ainda maior, já que a garota seguia ao lado da mãe que por pouco não foi também colhida pelo veículo. O motorista (Márcio Adriano Pacheco, 31) foi contido por uma testemunha que impediu a sua fuga na garupa de um motoqueiro que apareceu depois do acidente. Preso em flagrante, Márcio — que apresentava claros sinais de embriaguez e, talvez por isso mesmo, evitou passar pelo exame de bafômetro — foi recolhido ao CDP (Centro de Detenção Provisória) depois de indiciado por homicídio doloso (com intenção de matar).
De se destacar a presença de espírito da testemunha que barrou a fuga do motorista e a firmeza da delegada Cristina Bueno de Oliveira. A testemunha impediu mais um assassino do trânsito de fugir do flagrante e depois responder em liberdade. Por causa disso, o acusado está amargando uns dias no cárcere para refletir bem sobre a tragédia que cometeu e causou a uma família. Não merece qualquer tipo de benefício, embora vá conseguir relaxamento da prisão em flagrante devido a peculiaridades do nosso Código Penal que contempla com liberdade, até o julgamento, o cidadão com residência fixa e trabalho, sem antecedentes no crime.
Já a delegada Cristina agiu da forma como se espera de uma autoridade policial. Quem ingere bebida alcoólica e assume a direção de um veículo conhece perfeitamente os riscos aos quais estará sujeito: pode matar ou morrer. Neste caso, matou uma criança que tinha ainda toda a vida pela frente. Tinha muito a viver, experimentar e produzir. Um carro desgovernado e em alta velocidade, dirigido por um motorista alcoolizado, impediu um futuro que poderia ter sido brilhante. Por isso, merece a cadeia, pois não há como restituir a vida que ele tirou.
Quem bebe e dirige, como bem mostrou o repórter Felipe Cavallieri em reportagem deste Comércio, mesmo que sejam apenas duas ou três latinhas de cerveja, perde os reflexos, deixando a resposta lenta, tornando impraticável uma reação rápida diante de uma iminente colisão. Fica quase impossível manter o controle sobre a direção. A partir do momento em que a Justiça começar a sentenciar motoristas embriagados como homicidas que sabem bem o que pode acontecer na condução de um veículo, com certeza haverá uma redução neste tipo de ocorrência. Eles merecem prisão. Quem sabe se a Justiça agir assim a partir de agora as atitudes irresponsáveis e imprudentes não mudem também?
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