O trânsito francano foi novamente protagonista de uma tragédia no final de semana. A adolescente Sara Cristina Garcia Souza, de apenas 13 anos, morreu após ser atropelada por um carro conduzido por um motorista embriagado no começo da noite do último domingo. O acidente aconteceu no final da avenida Brasil, no Jardim Paulistano. A garota sofreu graves ferimentos e chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros até a Santa Casa local, mas não resistiu.
Segundo a Polícia Civil, por volta das 18h30, Márcio Adriano Pacheco, 31, dirigia em alta velocidade um Hyundai i30 quando perdeu o controle e atropelou a garota. Sara e sua mãe conversavam com uma vizinha ao lado de um Fiat Uno estacionado na margem da via. A adolescente percebeu a aproximação do Hyundai e, em um ato de coragem, empurrou a mãe para a calçada, mas não conseguiu se salvar. O retrovisor do carro se prendeu em sua mochila, arrastando-a por cerca de 10 metros do local do impacto.
De acordo com testemunhas, o motorista tentou fugir quando percebeu a gravidade do acidente, mas foi contido por vizinhos. Indignados com sua imprudência, populares tentaram agredir Pacheco com socos e pontapés, mas a Polícia Militar chegou a tempo e evitou que a confusão ficasse ainda maior. Ontem, o advogado Márcio Cunha reiterou que Pacheco prestou a assistência necessária e foi retirado do local por questão de segurança.
Dentro do carro foram encontradas três latas de cerveja. Notando que o condutor estava com visíveis sinais de embriaguez (voz pastosa, dificuldade em se equilibrar e forte cheiro de álcool) os PMs solicitaram que fosse feito o exame do bafômetro. O condutor, no entanto, recusou-se a soprar o equipamento. Ele então recebeu voz de prisão por dirigir sob o efeito de álcool e foi levado ao Plantão Policial.
Na chegada à delegacia, nova confusão. De acordo com Marco Antônio Elias da Silva, vizinho que impediu a fuga do motorista no local do acidente, o mesmo, acompanhado de seu advogado de defesa, tentaram evitar que a delegada Cristina Bueno de Oliveira tivesse acesso a seus dados pessoais. A alegação foi de que, durante a briga na avenida, sua carteira acabou furtada. Alguns minutos depois, porém, ele voltou atrás e entregou sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
Um médico legista colheu uma amostra de sangue do rapaz que acabou autuado em flagrante por homicídio doloso (quando há intenção de matar) pela autoridade policial de plantão. Ele passou a noite na delegacia até ser transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Franca, na manhã de ontem.
Como familiares de Sara Cristina residem em cidades distantes, sua família decidiu estender o velório, realizado no São Vicente de Paula, para que todos possam prestar suas últimas homenagens. O sepultamento acontece hoje, a partir das 9 horas, no Cemitério Jardim das Oliveiras.
Versão do motorista
Contratado para trabalhar na defesa do motorista Márcio Adriano Pacheco, preso no domingo, o advogado Márcio Cunha foi entrevistado na noite de ontem, por telefone, pelo Comércio da Franca. Ele declarou que seu cliente lhe confirmou que teria ingerido na hora do almoço do domingo uma pequena quantidade de bebida alcoólica.
Cunha, que esteve no CDP de Franca ontem, ouviu dele que não tentou fugir do local do acidente. Na realidade, ele foi levado por Policiais Militares, já que havia ameaças de agressão contra sua pessoa por parte de populares presentes no local. O advogado disse que deve se aprofundar no caso a partir de hoje e pedir nos próximos dias a liberdade provisória de seu cliente. No boletim de ocorrência, a profissão de Márcio Adriano é sapateiro.

Sara Cristina Garcia Souza, de apenas 13 anos
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