Dia Mundial Sem Carro


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Quando o automóvel surgiu substituiu charretes e carroças. Vendedor daquele tempo diria: “As rodas têm pneu, o que tornam o passeio confortável e sem ruído. Não empaca se não for alimentado ou estiver de mal humor. Basta andar com um galão de combustível no porta-malas. Não defeca nas ruas e assegurar o uso limpo do passeio público, evitando doenças à população. É mais veloz. Quando parado não precisa ficar amarrado pra não fugir”.

Só poderia ter um destino: conquistar todos os cidadãos do mundo. Estima-se, hoje, mais de um bilhão de automóveis, 4% no Brasil. Mas o mundo mudou... Há carros e há pessoas, e as vias, são poucas. Veículos são fontes de poluição. A tecnologia é a mesma há quase cem anos. Da energia que gera, aproveitamos não mais que 30%. O resto é calor.

Estou em São Paulo, a sete quilômetros de meu trabalho. Levo, aproximadamente, 45 minutos para percorrer o trecho. Locomovo-me, então, a 9,3 km/h. A pé andamos a 5 km/h, de bicicleta a 20 km/h. O mesmo caminho, a pé, demoraria 1h e 20 minutos e, de bicicleta, 21 minutos. Eu nunca levei 21 minutos de carro pra chegar ao trabalho. E trabalho no mesmo lugar há 8 anos.

Segundo a secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Trabalho de São Paulo, os prejuízos causados por engarrafamentos somam R$ 52,8 bilhões por ano, o equivalente a mais de 10% do PIB municipal.

Este Dia Mundial sem Carro me fez refletir sobre tudo isso. Não sou contra automóveis, adoro dirigir, mas já não é vantagem. O trânsito está parando. Vou aderir à moda das bicicletas. Quem tiver disposição de deixar o carro em casa e andar de transporte público fora dos horários de pico e nos dias em que não chove, vai perceber que é confortável. A minha decisão significará carro a menos nas ruas e menos uma tonelada de emissão de carbono ao final do ano.

Felipe Bottini
Especialista em sustentabilidade por Harvard

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