O STF decepcionou. Depois de lavar a alma do brasileiro e condenar alguns poderosos à prisão, a corte (o nome já diz tudo) resolveu ‘jogar o jogo’, livrando os amigos do governo da tão esperada prisão.
Mas o que impressiona são os discursos. Amparados nas questões técnicas da jurisprudência, os ministros afirmaram a necessidade de defesa da Constituição, o que na opinião desses digníssimos senhores seria fundamental para a manutenção de um Estado democrático.
Quanta balela! Qualquer brasileiro minimamente atento sabe que os Três Poderes surram a Constituição diariamente.
É só olhar a saúde e o ensino. Quanta distância existe entre o discurso constitucional e o cotidiano de escolas e hospitais?
E o que dizer do sistema prisional, que acoberta tantas violações dos direitos constitucionais, com presidiários detidos de forma ilegal, tanto no momento de ingressar quanto na hora de sair do sistema?
Esses discursos, portanto, apenas disfarçam uma decisão política e econômica, um casuísmo que tenta disfarçar-se em tecnicismo, como se o Supremo fosse um órgão totalmente dissociado da sociedade e o direito fosse algo natural ou divino e não o resultado das lutas e das contradições que permeiam a sociedade.
No fundo, um grande teatro, com todas as estratégias de uma verdadeira tragicomédia, ao melhor estilo Molière.
Figurinos que remontam às cortes europeias. Ministros que fazem pose, chamam-se de ‘excelências’ e tentam aparentar neutralidade por meio de palavras técnicas e difíceis de serem decifradas.
Uma farsa descarada sob o disfarce de uma máscara de vestal.
Porém, como todos sabem, não existem virgens em prostíbulos.
Nesse sentido, vamos torcer para que o tempo venha vingar-nos, tirando-lhes as máscaras e empurrando-os para a lata de lixo da história, junto com seus discursos e seus tecnicismos.
Maurício Buffa
Consultor de Marketing do Sebrae/SP
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