Saber administrar


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Vamos agradecer a Deus pela vida, pela paz e por tudo que recebemos do coração do Pai na semana que terminou. Reunidos na celebração eucarística Deus fala conosco e derrama sua luz e sabedoria na nossa vida. Vejamos os seus ensinamentos. As leituras são Amós 8, 1ª Carta a Timóteo 2 e Lucas 16.

Primeira Leitura — Amós 8: Amós exerceu sua atividade profética no tempo de Jeroboão, num período marcado por fortes injustiças sociais e manipulações religiosas. Vivia-se tempo de ‘milagre econômico’. A religião funcionava como sustentáculo da corrupção social. Para ele, o dia de Javé seria marcado pela destruição e exílio, mostrando qual é o fim de sociedade corrupta e pretensamente religiosa. O profeta se levanta contra comerciantes gananciosos porque, por detrás de sua riqueza se esconde grave injustiça social: enriqueceram-se sem se preocupar com o ideal da Aliança, ponto de partida para a igualdade entre todos. Ora, os comerciantes não cessam nem nos dias sagrados, arquitetando novas formas de enriquecer à custa dos indigentes. Javé sente-se lesado na pessoa do pobre e intervém. A expressão evoca o gesto de Deus que toma partido em favor do oprimido.

Segunda Leitura — 1ª Carta a Timóteo 2: Escrevendo a Timóteo, seu verdadeiro filho na fé, Paulo apresenta algumas normas sobre a oração pública, feita provavelmente dentro da ceia eucarística. Num breve texto estão condensados o fundamento, o modo e a finalidade da oração. Fundamento: A oração é um mergulho no projeto divino. Rezar é, pois, entrar em perfeita sintonia com a vontade de Deus. Modo de rezar: Paulo apresenta, sem especificar, quatro tipos de preces: pedidos, orações, súplicas e ações de graças. É a tentativa de abraçar toda e qualquer forma de relacionamento com Deus e com o seu projeto.

Ninguém pode orar, de fato, se não estiver desarmado de ódio e imbuído da misericórdia de Deus. Finalidade: Paulo exorta para que os cristãos rezem por todos. A oração visa, pois, obter a prosperidade e a paz.

Evangelho — Lucas 16: Um administrador é denunciado ao patrão como incompetente, porque dissipa seus bens. O patrão o manda chamar, conta-lhe o que ouviu, não espera explicação ou justificativa e o manda embora. O administrador se dá conta de que deve pensar no seu futuro. Ocorre-lhe ideia: convoca os devedores e pergunta: ‘Quando deves ao meu senhor?’ Cem barris de azeite. O administrador, então, dá um largo sorriso e diz: ‘Rasga o teu recibo, senta-te e escreve logo cinquenta’.

No futuro, esses devedores não se esquecerão de sua generosidade e, com certeza, lhe darão acolhida. O administrador foi esperto, diz Jesus, porque percebeu qual era o objetivo final: mais que de dinheiro, precisaria de amigos. Renunciou ao dinheiro, para conquistar amigos.

Seguem-se frases de Jesus, relacionadas com o tema do uso da riqueza: ‘Os filhos deste mundo são mais prudentes do que os filhos da luz, no trato com seus semelhantes’.

Depois de ter reconhecido a competência do administrador, Jesus constata pronuncia a frase mais importante: ‘Granjeai amigos com a riqueza injusta, para que, no dia em que ela vos faltar, eles vos recebam nos tabernáculos eternos’. Observemos o julgamento severo que Jesus profere sobre a riqueza: classifica-a como ‘injusta’, adquirida por meios desonestos. Os homens não são proprietários, mas, apenas, administradores dos bens de Deus.

O que quer explicar é que a única maneira ‘esperta’ de utilizar os bens deste mundo é colocando-os a serviço dos outros, para fazer deles nossos amigos. Serão eles que nos acolherão na vida eterna.

Monsehor José Geraldo Segantin
Administrador Diocesano - segantin@comerciodafranca.com.br

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