‘Pica Pau’ alega legítima defesa para justificar assassinato


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Em sua cela na DIG, acusado se ajoelhou com o rosto no chão sibilando algumas palavras religiosas após a reconstituição do crime
Em sua cela na DIG, acusado se ajoelhou com o rosto no chão sibilando algumas palavras religiosas após a reconstituição do crime

Agentes da divisão de homicídios da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), acompanhados por peritos do IC (Instituto de Criminalística), estiveram, na manhã de ontem, em uma casa da Vila Nossa Senhora das Graças. O objetivo foi reconstituir os fatos que antecederam o assassinato do estudante Tiago Costa, 23, morto com uma facada no peito, no início do mês.

Os investigadores Paulo Rodrigues e Luciano Tavares acompanharam o acusado pelo crime, Alex de Oliveira, 34, vulgarmente conhecido como “Pica-pau”, até a casa onde ele e a vítima teriam discutido. “Ele (acusado) alega que o motivo que o levou a cometer o crime foi um objeto pessoal furtado pela vítima durante a festa de aniversário realizada no local”, explicou o delegado Márcio Murari, responsável pelo caso. E continuou: “O acusado também disse que pegou a faca das mãos da vítima, (indicando assim que agiu em legítima defesa), mas não acreditamos nesta versão. Estou encaminhando à Justiça um pedido de prisão para que este homem aguarde o julgamento em regime fechado”, contou a autoridade.

Contradições a parte, principalmente em relação ao fato de “quem pegou a faca primeiro”, Pica-pau explicou durante a reconstituição que após a discussão, ele teria desferido um golpe fulminante no peito de Tiago que caiu no chão. A violência do golpe foi tanta que parte da lâmina se soltou do cabo e ficou alojada no corpo do estudante. A vítima acabou socorrido por um colega que também estava na festa até o Pronto-Socorro Municipal “Dr. Álvaro Azzuz”. Costa chegou a receber os primeiros atendimentos no PS, mas devido à gravidade do ferimento, acabou encaminhado à Santa Casa de Franca. Só que o estudante não resistiu ao ferimento e morreu ao dar entrada no hospital.

O caso é de responsabilidade da DIG cujo delegado, Márcio Murari, dependia da reconstituição para remeter o inquérito ao Fórum de Franca.

Inconformados
Enquanto o acusado de assassinato dava detalhes do crime aos investigadores e peritos, um grupo de populares se aglomerou diante do imóvel da rua Gabriel Anawate. A maioria estava apenas curiosa com a presença da polícia, mas houve quem quis tirar satisfações com o Oliveira.

Como o acusado e a vítima eram amigos, os mais exaltados se diziam revoltados com a situação. Por receio de que essas pessoas pudessem atacar o acusado, os policiais decidiram “acelerar” a reconstituição a fim de deixar o local antes que eventuais agressões pudessem ocorrer.

Já em sua cela provisória, na DIG, o acusado não quis dar detalhes sobre o crime à reportagem. Visivelmente alterado, ele primeiro comeu um lanche e depois de ajoelhou com o rosto no chão sibilando algumas palavras religiosas. Ao perceber que ficaria só, ele se levantou e fez questão de se despedir: “Vai com Deus”, senhor.

A prisão
Pica-pau foi preso no último dia 10, na cidade vizinha de Patrocínio Paulista. Segundo as autoridades locais, ele transitava furtivamente por uma praça pública embrulhado em cobertores, aparentando ser um andarilho, mas de acordo com o delegado Marcelo Rodrigues, Oliveira havia furtado dois estabelecimentos comerciantes na madrugada anterior.

Flagrado com os objetos e com o dinheiro provenientes do crime, Pica-pau foi preso em flagrante por furto qualificado. Quando soube de seu apelido e da suspeita de que ele estivesse envolvido em um assassinato, o delegado contatou a divisão de homicídios da DIG em Franca. Desde então, o rapaz está sob custódia dos agentes da especializada francana.

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