Que a situação da Saúde Pública do Brasil continua preocupante, não há dúvidas. A experiência da copeira Nilza dos Reis, 46, na última terça-feira, é um doloroso exemplo. A indignação toma conta mesmo diante de uma série de descalabros noticiada diariamente pela imprensa brasileira. Não há dia em que o atendimento público de saúde deixa de protagonizar cenas vergonhosas e angustiantes, sem que haja, pelo menos em curto prazo, uma solução que dê fim aos problemas. Oxalá o programa ‘Mais Médicos’ o consiga. Embora seja cedo para comemorar, a população brasileira que depende da Saúde Pública merece que tudo dê certo desta vez. Caso isso não ocorra, vai ser difícil ficar esperando indefinidamente por uma atenção maior do governo federal.
Quem conferiu a edição de ontem do Comércio ou os diversos programas jornalísticos da rádio Difusora certamente ficou indignado com a espera de quase 14 horas a que Nilza foi submetida. No Pronto-socorro Municipal ‘Álvaro Azzuz’ ela ficou oito horas com fratura na clavícula e perfuração no baço e no fígado, sofrendo dores atrozes, à espera de um ortopedista que não chegou -- afinal, a rede municipal não conta com profissional da área. Com a necessidade de transferência para a Santa Casa, ainda teve que aguardar mais cinco horas, já que não havia leito disponível para atendê-la.
Até a tarde de ontem ninguém da administração municipal apareceu para dar satisfações não só a dona Nilza mas também ao contribuinte, cujo dinheiro também é responsável pelo pagamento do atendimento público de saúde. Não adianta prometer uma ‘apuração rigorosa’. O que o francano exige é uma solução para que o fato não mais se repita. Submeter um paciente a uma situação como a da última terça-feira é verdadeiramente desumano. Ninguém merece passar por situação semelhante. A forma como a copeira foi tratada é indigna para a condição humana.
Não se imagina, a partir de agora, qual vai ser o próximo problema a ter como palco o Pronto-socorro municipal. O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), ele mesmo ex-secretário da Saúde, não dá mostras de que a Saúde seja um dos esteios de sua administração, embora tente demonstrar o contrário. Não se admite a demora no atendimento, a inexistência de um ortopedista e a falta de leitos na Santa Casa. É bom lembrar que a Prefeitura é hoje um dos gestores do principal hospital público do município, que atende pacientes não só de Franca, mas de mais de uma dezena de cidades da região. Por isso, não há desculpas para a situação.
Neste momento em que o governo federal se mostra mais preocupado em tirar mais tributos do setor produtivo (com a manutenção do adicional de 10% sobre o Fundo de Garantia) do que com os rumos da Saúde (a ministra das Relações Institucionais Ideli Salvatti garante que não há como investir 10% do PIB no setor), é urgente que o governo municipal dê uma resposta positiva ao problema, para que não volte a se repetir. Não se pode assistir passivamente a este estado de coisas. É desumano.
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