Dores insuportáveis e uma espera interminável. Essa foi a angustiante experiência vivida por uma mulher de 46 anos na última terça-feira, que ficou sofrendo com fortes dores no corpo, por quase 14 horas, no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”. A copeira Nilza dos Reis deu entrada no PS na terça-feira, às 8h21, e foi transferida para a Santa Casa de Franca às 21h50. O PS não tinha ortopedista para avaliar a paciente que gritava de dores, decorrentes de uma fratura na clavícula e de perfuração no baço e no fígado, possivelmente em decorrência de um tombo dentro de casa.
No PS, Nilza foi submetida a um exame de raio-X. Segundo a família, a informação era a de que a paciente não havia fraturado a clavícula. “Disseram que se fosse osso trincado não apareceria no exame. Por isso, ela precisava ser atendida por um ortopedista, mas ele não apareceu”, disse a filha da paciente, Cintia dos Reis, 24.
Segundo ela, após oito horas de espera por um ortopedista, às 16h20, funcionários do PS disseram que a paciente precisaria ser transferida para a Santa Casa, onde seria avaliada por um especialista. Mas o hospital não tinha leito disponível para recebê-la. Seria necessário esperar pela regulação de vagas. Foram mais cinco horas e meia de uma angustiante e dolorida espera para a paciente, que foi transferida às 21h50.
“Me senti totalmente impotente. Eu pedia ajuda, eles [os funcionários] falavam que iriam fazer, mas era como se falassem por falar. Foi horrível o atendimento lá. Não gosto nem de lembrar”, disse a filha.
Mais espera
Mesmo sendo transferida por causa das fortes dores que sentia, Nilza ainda esperou mais de uma hora para ser atendida na Santa Casa. Ela aguardou em uma cadeira de rodas. Segundo a família, às 23 horas de terça-feira não havia vaga para internar a paciente. Ela passou a noite na ala do pronto-atendimento. Cintia conversou com a mãe por telefone. “Ela falou que foi acomodada na pediatria hoje [ontem] de manhã”, disse.
A preocupação tomou conta da família. A filha da paciente disse que estava entrando em desespero. “Eles [Santa Casa] não falam, a gente começa a pensar o pior. Não deixam entrar. Dizem que enquanto ela não for internada mesmo - porque falam que só interna quando vai para o quarto - não podem dar informação ou permitir visita”, reclamou.
A paciente foi transferida para o quarto ontem às 17 horas - quase um dia e meio depois de começar sua busca por atendimento pelo Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”.
A assessoria de imprensa da Santa Casa disse ao Comércio, na manhã de ontem, que não tinha informações sobre o estado de saúde de Nilza nem em que ala a paciente estava acomodada porque não localizou o registro de entrada dela.
Procurado pela reportagem diversas vezes durante todo o dia, a assessoria não informou porque a paciente demorou 18 horas para ser internada, depois de ter dado entrada na Santa Casa nem retornou as ligações.
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