Acidentes matam 35 pessoas em Franca de janeiro a agosto de 2013


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Bombeiros socorrem motociclista Filipe Oliveira, em acidente na Paulo VI. Ele não resistiu
Bombeiros socorrem motociclista Filipe Oliveira, em acidente na Paulo VI. Ele não resistiu

Excesso de velocidade, ultrapassagens arriscadas, desrespeito à sinalização. Motoristas bêbados. Muitas vezes, toda esta combinação explosiva misturada. Não importa qual tenha sido a causa. Dados levantados pelo Comércio revelam um dado alarmante. Num período de apenas oito meses, mais de quatro mil acidentes de trânsito já foram registrados no município. Deste total, 1.405 ocorrências deixaram vítimas leves ou graves. As batidas, atropelamentos ou capotamentos mataram 35 pessoas na área urbana e rodovias que cortam Franca. O número atual já está perto do total de mortes ocorridas ao longo do ano passado - 45. Os acidentes matam quatro vezes mais em Franca do que uma arma de fogo. Para as autoridades, a explicação para a matança no trânsito é uma só: falha ou negligência humana.

O Corpo de Bombeiros de Franca atende a uma média de sete mil ocorrências todos os anos. Quase 70% dos casos são acidentes. Os mais frequentes e que deixam vítimas mais graves envolvem motos. Segundos dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), são mais de 52 mil veículos do tipo circulando na cidade. “O problema dos acidentes de trânsito não é exclusivo de Franca. É uma situação endêmica dos grandes centros. Além do crescimento da cidade, percebemos que o comportamento do motorista é um fator preponderante para o acontecimento destas ocorrências”, disse o tenente Marcel Filippin, comandante do posto dos Bombeiros.

Segundo o oficial, a imprudência dos condutores e o desrespeito às regras de trânsito são cenas comuns e ajudam a explicar os motivos pelos quais acontecem tantos acidentes. “Todos sabem que não pode dirigir bebendo, que não pode falar ao celular, nem exagerar na velocidade. O problema está no não cumprimento das normas.”

Exemplos não faltam para ilustrar o quanto os motoristas francanos ignoram as leis. No ano passado, 5,9 mil pessoas foram multadas por dirigirem falando ao celular, enquanto outras 800 foram flagradas furando o sinal vermelho. Se não bastasse, 16,1 mil condutores excederam a velocidade máxima permitida. “Com tanto abuso, não tem como não acontecer acidente. O pessoal não respeita a sinalização, corre demais e exagera na bebida. Acredito que pelo menos 90% dos acidentes de trânsito acontecem por culpa do motorista”, comentou o capitão Marcus Alexandre Moraes de Araújo, comandante da Companhia de Força Tática do 15º Batalhão da Polícia Militar de Franca.

Durante dez meses, o policial realizou uma minuciosa pesquisa sobre os acidentes em Franca. O resultado foi tema de dissertação que apresentou na conclusão do curso de pós-graduação de ciências policiais em segurança e ordem pública no Centro de Altos Estudos de Segurança da PM. O trabalho mostrou que a maioria das vítimas fatais no trânsito é composta por homens com idade entre 18 e 30 anos. O horário de maior risco foi verificado das 18 horas à meia noite. As causas apontadas são falta de cinto de segurança, não uso do capacete, alta velocidade, imprudência e o consumo de bebidas alcoólicas.

As sucessivas tragédias parecem não ser suficientes para fazer os motoristas mudar seus hábitos. Nos sete primeiros meses deste ano, 109 bebuns foram presos por dirigirem embriagados pela ruas e avenidas de Franca. Há uma semana, um desastre deixou cinco mortos em Patrocínio Paulista. A polícia suspeita que o causador do acidente estava embriagado.

“Estamos fazendo nossa parte e ampliando as fiscalizações, mas os motoristas precisam colaborar. É preciso respeito mútuo”, finalizou o capitão Marcus Alexandre.
 

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